E termina mais um dia. Engraçado, como o tempo passa independentemente de como nos sentimos, do que (não) fazemos... Hoje, nas minhas divagações mentais (quando não se tem mais nada para fazer, faz-se disto... também chamado, nos meus termos, de "tortura psicológica"), ocorreu-me uma questão, de muitas. Pode parecer mórbido (ok, se calhar é), mas não deixa de ser pertinente. Se não houvesse amanhã e me fosse possível fazer um exame rápido à minda vida até agora, seria suficiente? Eu sei que geralmente não gostamos muito de pensar nisto (falo por mim, às vezes atinge proporções supersticiosas) mas, a meu ver, é uma dúvida relevante... Pensei... Infelizmente, há cada vez mais acidentes, mais doenças, mais catástrofes naturais, até mais distúrbios psicológicos... Isto não me parece estar a caminhar para melhor, pois não? Não... É muito fácil pensarmos "Que chato, que horror" quando lá bem no fundo pensamos "Pois, mas acontece aos outros, a mim não". É uma tendência natural que todos temos. E se um dia somos nós? Será que estamos a viver como deveríamos, como queríamos? Será que estamos a ser (ou pelo menos a esforçar-nos por ser) o que queríamos ser? Ou existem coisas (por muito pequenas que sejam) que estamos constantemente a adiar porque "amanhã também é dia"? Aquela conversa que era necessária, aquela ajuda que nos foi pedida, aquela visita prometida há tempo, até aquela saída de casa só para respirar... Pois é. O que me dei conta (e tenho vindo a dar cada vez mais) é que passo muito tempo, demasiado, a queixar-me por isto ou por aquilo... Até posso ter razões para isso, mas será que me ajuda nalguma coisa? Será que me ajuda se for mais ríspida ou mal humorada com alguém que se importa realmente, só porque estou irritada? Valerá a pena? Se pensarmos bem nisso, são minutos perdidos, até segundos perdidos. Minutos, segundos, que poderia usar para fazer alguma coisa de realmente produtivo, como estender uma mão a quem está a precisar dela, como ler mais umas páginas do meu livro, ir até lá fora e ver o sol ou a chuva... Porque tudo isso é importante, isso é que é O importante. Só sei que, se de facto não houvesse amanhã e eu fizesse o tal exame, neste momento havia muita coisa de que me ia arrepender, muitos segundos que me iam pesar na consciência... só que não ia ter oportunidade de fazer nada para compensar. A oportunidade é agora, já."Para o homem, apenas há três acontecimentos: nascer, viver e morrer. Ele não sente o nascer, sofre ao morrer e esquece-se de viver." (Jean de La Bruyère)
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