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Mensagens

A mostrar mensagens de janeiro, 2010

E o oásis mantém-se, felizmente

As coisas estão a correr bem. Depois da semana passada, que foi do piorio, esta está singificativamente melhor. Tenho mais trabalho (as consultas estão a correr cada vez melhor e a cada dia que passa sinto-me mais à vontade), ando mais calma, parece que é desta que saio daqui, tenho feito exercício (o que já ajuda imenso)... está tudo bem. Um bocadinho de paz sabe mesmo bem.

Um pedacinho de paz

Pensei que ia andar deprimida por estar aqui sozinha no fim-de-semana, mas até nem estou. Sinto-me hoje melhor do que me senti a semana toda. Não sei se foi desta treta de andar à procura de casa, se foi de chover todos os dias, se foi de não ter tanto trabalho... Só sei que é uma semana que posso esquecer. Curiosamente, hoje estou óptima. Se calhar era o que estava a precisar: um dia sozinha, só comigo, ao meu ritmo, a fazer as minhas coisas. Gosto de ter gente aqui, mas assim é diferente, consegui reestabelecer o meu equilibrio e as minhas prioridades. E tomei uma decisão, finalmente. No meu primeiro e segundo ano ficava aqui sozinha nos fins de semanas todos. Porque é que agora não haveria de conseguir? Já limpei, já trabalhei (mais do que durante toda a semana), já vi séries, já fiz exercício, já estive a ler... um bocadinho de tudo. Acho que consegui organizar a minha vida. Chega do caos da semana passada, acabou a "pity party". Engraçado... embora continue a chover, ho...

Wathever

As pessoas estão sempre a desiludir. E agora, a "million dollar question": valerá a pena expôrmo-nos a essa possibilidade? Há quem ache que sim, há quem ache que não... Quanto a mim, depende dos dias. O dia de hoje foi melhor que ontem, sem dúvida. Estive mais ocupada, apesar de não ter tido consultas. Mas hoje o vazio não se notou tanto. Apesar de tudo, tive uma conversa com a minha irmã, que por acaso estava a precisar de ter, e deixou-me a pensar nesta questão. As pessoas são imprevisíveis e na maior parte das vezes agem por puro egoísmo, passam simplesmente por cima dos outros. Acima de tudo, são ingratas. Atenção, que não me excluo desse grupo de pessoas, também tenho os meus maus momentos, mas acho que no final do dia posso dormir de consciência tranquila. Acho impressionante, todos os dias me espanta, ver como é tão fácil a algumas pessoas passarem por cima das outras, de outras pessoas que lhes deram tudo o que podiam, que as apoiaram quando elas precisaram. Também s...

Levantar cansa

Estou cansada. Há dias que pura e simplesmente dão cabo de quaisquer boas intenções que tenha. Eu tento, a sério que tento. Quero tanto melhorar! Mas às vezes parece uma conspiração qualquer, sei lá. Estes últimos dias têm sido uma treta. Detesto dizer isto, mas também destesto fingir que está tudo bem, porque não está. Posso esconder-me atrás dos livros, do computador, das séries, mas não me parece que desta vez esteja a resultar. Desta vez o vazio não está a passar. Às vezes parece que melhora, por umas horas, quando estou a dar uma consulta, por exemplo. Mas não dura. Acordo de manhã e lembro-me, lembro-me de tudo. E sinto-me sozinha, tão, tão, tão sozinha. Sabem quando nos sentimos sozinhos e por muito que doa, também não queremos estar rodeados de pessoas? Ou então o meu problema era querer falar com alguém em particular, coisa que não posso fazer. O que é certo é que estou triste, há dias que estou assim. E estou cada vez mais cansada disto tudo, só quero que passe. Se pudesse, h...

Altura de baixar as expectativas

Estive a um bocadinho de fazer uma coisa de que me ia arrepender. Por minutos, ponderei seriamente telefonar-te. Se soubesses como precisava disso, daqueles minutos em que eu sei que me ias fazer sentir melhor! Há uns aninhos atrás, era o que teria feito. Sentia-me mal, por alguma razão, telefonava-te e tínhamos daquelas conversas de uma hora, acerca de tudo e nada, e no final eu estava bem outra vez. O pior de tudo é que sei que, mesmo depois de tudo o que me fizeste passar, ainda ias conseguir fazer-me sentir melhor, ainda tens esse poder na minha vida, constatei isso no Verão. Há pouco tempo, numa série ou filme qualquer que vi, discutia-se a ideia de que há certas pessoas que vão ter sempre uma ligação, mesmo que estejam longe, mesmo que não se falem tanto, mesmo que mudem como tu mudaste... como eu tive que mudar. Acho que vais ser sempre essa pessoa para mim, aquela em que vou pensar sempre que estiver mais em baixo. Mas não posso ceder, sabes que não, sei que não. Todos os dias ...

Qb de loucura

"To love. To be loved. To never forget your own insignificance. To never get used to the unspeakable violence and the vulgar disparity of life around you. To seek joy in the saddest places. To pursue beauty to its lair. To never simplify what is complicated or complicate what is simple. To respect strength, never power. Above all, to watch. To try and understand. To never look away. And never, never, to forget." Arundhati Roy Na minha humilde opinião, este parágrafo resume bem aquilo que cada um de nós devia tentar fazer, em cada dia da sua vida. A vida é isto tudo... e é só isto. Podemos ser isto tudo e ainda mais. Só acrescentaria uma coisa aqui. Acho que é essencial um pouco de loucura na vida de todos nós. Como dizia hoje a uma amiga minha, acho que ajuda a manter a sanidade (passa o paradoxo, mais uma vez). Como é que esperam lidar com todas as notícias horríveis que se vêem e ouvem na televisão? Como lidar com o egoísmo, com a superficialidade de muita gente? Como lida...

Estou triste

Estava a ver um episódio de "Dawson's Creek" (que me pôs a chorar, coisa que já não me acontecia há muito tempo, mas acho que hoje era mesmo o que precisava) e, não sei porquê, ocorreu-me uma ideia. Aqui em casa, quando alguma de nós está mais em baixo, dizemos que estamos deprimidas. Ora, eu sei por experiência que isso nem é uma designação correcta, mas à parte os aspectos técnicos... "Deprimida", "deprimente" são palavras que usamos frequentemente. Daí a minha questão: porque é que eu digo "estou deprimida" e não "estou triste"? Pode parecer uma pergunta estúpida e irrelevante, mas a resposta que me surgiu foi interessante e pôs-me a pensar. Digo "estou deprimida" porque é mais fácil do que dizer "estou triste" (pelo menos eu acho). Não sei bem porquê, mas sinto-me mais vulnerável ao dizer que "estou triste", quando essa até é a expressão correcta. Há cada vez mais coisas tristes no mundo, infelizme...

Acerca da tão aclamada luz

"Our deepest fear is not that we are inadequate. Our deepest fear is that we are powerful beyond measure. It is our light, not our darkness that most frightens us. We ask ourselves, 'Who am I to be brilliant, gorgeous, talented, fabulous?' Actually, who are you not to be? You are a child of God. Your playing small does not serve the world. There is nothing enlightened about shrinking so that other people won't feel insecure around you. We are all meant to shine, as children do. We were born to make manifest the glory of God that is within us. It's not just in some of us; it's in everyone. And as we let our own light shine, we unconsciously give other people permission to do the same. As we are liberated from our own fear, our presence automatically liberates others." Marianne Williamson, "A Return to Love: Reflections on the Principles of a Course in Miracles"

Saudades, saudades... saudades de mim

"Mesmo que ao meio-dia a rosa perca a beleza que teve de madrugada, a sua beleza naquele momento foi real. Nada no Mundo é permanente, e somos tolos em desejar que uma coisa perdure, mas mais tolos ainda seríamos se não a apreciássemos enquanto a temos." (Somerset Maugham, "O Fio da Navalha") ______________________________________________________________________ Hoje acordei outra vez com os fantasmas na cabeça. Não me entendam mal, não estou chateada com a minha vida. Adoro o meu trabalho, cada momento dele, estou satisfeita por até agora ter sabido enfrentar todos os desafios que me têm sido colocados. A apresentação desta semana correu lindamente, nem fiquei nervosa. Tenho mais casos, ontem a consulta que dei sozinha correu muito bem e já tenho a prózima preparada. Melhor que isso, acho que posso mesmo ajudar aquele menino. Tenho andado ocupada e estou quase, quase a deixar de vez os anti-depressivos, que era o que eu mais queria. Mas falta-me alguma coisa, eu se...

Bem... bem...

Estou bem. Desde a última vez que escrevi alguma coisa aqui, que já nem sei quando foi ao certo (penso que talvez na Segunda-feira), o cenário melhorou consideravelmente. Estou mais optimista, mais feliz, mais corajosa... Tenho mais planos para o futuro, que é mais do que diria há umas semanas atrás. Sim, vou continuar a ter "dias não", dias em que vou desanimar, em que vou questionar, em que vou recordar, em que vai doer... Mas sei que consigo ultrapassar tudo isso, sei que tenho força, muito mais do que aquilo que pensava ter. Este é um dia bom.

Desabafo

Às vezes canso-me de lidar com as pessoas, e hoje foi um desses dias. Ninguém tem culpa (e se houver culpas a distribuir é a mim), mas é verdade. Quando lido com "desconhecidos" ou simplesmente conhecidos, ou com pessoas no trabalho é diferente. São pessoas que não me conhecem fora daquele contexto, são pessoas que não têm expectativas, que não pressionam, que não acham que sabem, que não se se reservam o direito de abusar da confiança... Quanto mais próximos somos de alguém, mais expectativas estão envolvidas, mais... Hoje foi um dos dias em que me foi mais difícil lidar com isso. Às vezes acontece-me, ter "overdoses" de pessoas. Às vezes apetece-me estar irritada. Não tenho também direito a isso? Às vezes irritam-me as responsabilidades, às vezes só gostava de não estar aqui, de estar nalgum sítio sozinha e fazer o que quer que me apetecesse... O problema é que se, nestes dias, alguém me perguntasse o que é que queria, também não sei. Só sei que não era isto... e ...

O melhor da vida

Não há coisa melhor na vida do que fazer sorrir uma criança, acreditem. Saber que ajudámos alguém, de alguma forma. Não há sensação mais bonita que essa. Posso dizer que estou feliz e o dia valeu completamente a pena :)

Depois da tempestade...

Hoje estou melhor, acho que já me passou a leve vaga depressiva que tinha.Penso que as coisas estão a andar para a frente, como deve ser. Felizmente, o vazio que sinto por vezes ainda não esteve hoje presente. Acho que foi por estar muito tempo aqui, sem poder fazer nada e sabendo que há tanta coisa para fazer. A ansiedade do costume. Já passou. Outra coisa que me está a animar é o facto de estar no segundo dia consecutivo sem tomar os antidepressivos sem quaisquer sinais sintomáticos. Acho que consigo viver bem sem eles! :) Vou trabalhar.

Deixar ser criança

"Os adultos (...) acham que sabem tudo. Crescem e esquecem rapidamente, e, em vez de continuarem de espírito aberto e cultivarem essa atitude, decidem escolher aquilo em que podem ou não acreditar. Não se pode escolher as coisas, ou se acredita nelas ou não. Por isso é que eles aprendem mais devagar. São mais cínicos, perdem a fé e só querem conhecer as coisas que os vão ajudar no dia-a-dia. Não lhes interessam os extras. Mas (...) são os extras que fazem a vida." (Cecelia Ahern, "Se me pudesses ver agora")

Momentos mais difíceis

Voltei ao trabalho... quer dizer, mais ou menos, vou ter a primeira consulta só ao fim da tarde. Já tinha saudades disto, embora me tenha custado vir embora, como sempre. Acho que a minha vida já é mais aqui... Mas às vezes, como agora, ainda tenho "quebras"... momentos em que estou sozinha e de repente sinto-me um bocado triste, não sei bem porquê... Nostálgia, saudades, querer demais? Não sei mesmo. De repente fiquei assim, de repente já não sei. Tudo o que quero é fazer alguma coisa mais de mim, dar significado à minha vida. Para isso, preciso de me sentir mal. Durante estes anos tentei preencher sempre os espaços que ficaram, com os livros, com amigos, com a família... Demorei anos a apanhar os bocadinhos de mim que ficaram espalhados, a arranjar coragem para olhar ao espelho e gostar de mim, e ter esperança... E gosto do que tenho feito. Então porque é que às vezes ainda me sinto tão vazia?

"Ano novo, vida nova." Será?

"Por vezes o mundo oferece-nos presentes destes, umas breves tréguas quando o gongo do ringue de boxe soa e vamos para o nosso canto, onde alguém passa uma esponja húmida e fresca sobre a nossa vida ferida e magoada" (Sue Monk Kidd, "A vida secreta das abelhas") _____________________________________________________________________ Hoje foi um dia simples, penso que terá sido um bom começo de ano. Não posso dizer que a rotina tenha sido outra porque não foi, mas fiz uma coisa que não fazia à muito tempo aqui: ri com vontade. Parece estupidez dito assim, mas estava a precisar. Tal como às vezes preciso de chorar, para limpar tudo o que cá está dentro a magoar, acho que às vezes estes "ataques de riso" também são necessários, ajudam a respirar. O motivo foi ridículo, mas o que importa é que durante aqueles minutos eu fui eu e só eu, sem problemas anexados, sem "mas", sem "talvez". Pode dizer-se que hoje foi um dia em que eu fui simples, em...