Às vezes sinto-me assim. Vazia. Triste. Angustiada. E não sei porquê. Tenho tido menos momentos destes, com o tempo. O yoga ajuda. Ler ajuda. Respirar ajuda. Mas às vezes, de repente, sei perceber bem porquê... lá vamos nós. Por vezes penso que é a cidade. A confusão, as buzinadelas, o barulho dos vizinhos, os constantes berros e discussões que se ouvem demasiado bem, as risadas com álcool à mistura lá fora. Acho mesmo que esta cidade não é para mim, e quando me sinto assim a vontade de arrumar tudo e ir embora para G. é tão grande... Se calhar depois iria ser o mesmo. Mas é diferente. Já disse muitas vezes e é verdade. Sinto que sou duas pessoas: a pessoa que se adaptou aqui, e a pessoa que não é daqui, de todo, que é de uma cidade muito mais pequena, mais simples, menos confusa, mais sossegada. Antes conseguia separá-las. Quando estou aqui, quase sempre, era a pessoa que sou aqui, e quando voltava lá, para visitar, permitia-me ser eu. Mas cada vez mais essa pessoa aparece, de r...
Nos últimos meses tem sido tão difícil escrever. Acho que quando finalmente o faço começo sempre por dizer isto. Porque não é que não sinta (ou é?), mas não consigo colocar nada em palavras. Nem ditas, quanto mais escritas. Acho que às vezes é preciso um dia em que alguma coisa desbloqueia esses sentimentos todos. Uma música, um sorriso, um livro, uma série de televisão, a frase perfeita, o tom perfeito, o olhar perfeito. Finalmente, aconteceu. Acho que estava a precisar. Foi preciso ver o final do Vampire Diaries para encontrar as minhas palavras. Hoje parei. E está sol. E há silêncio. E ouvi a frase perfeita (digam o que quiserem, mas acompanhar uma série de televisão durante 8 anos, ou mais quando paramos, independentemente de ser uma série futurista, ou de envolver vampiros, o que quiserem... vamos sentir. Porque temos uma relação com os personagens, e porque quando acaba, lembramo-nos de estar a começar a ver, há tantos anos atrás, até de ver mais do que uma vez, com pessoas dife...