Tenho estado muito tempo sem escrever. Nas últimas semanas, pensei várias vezes em voltar a fazê-lo, mas acabo por desistir. Acho que principalmente porque não faço a mínima ideia do que escrever, como escrever. Ou então tenho medo do que vou escrever. Não sei. Tenho andado com tanta coisa na cabeça, tantas coisas em que gostava de não pensar... Mas claro, sou eu, e por isso penso.
A verdade é que desde o último post (há mais de um ano!) mudou muita coisa, e mudou muito pouco. No trabalho as coisas têm corrido bem, uns dias avançamos mais, noutros nem tanto, mas estou a fazer o que gosto, e sei que tenho muita sorte só por isso, nunca me esqueço. Em casa também está tudo bem, mais uma vez, tenho mesmo muita sorte. Não é toda a gente que, depois de anos de dúvidas, já quase sem acreditar que algum dia ia acontecer, ainda assim encontra uma pessoa como eu encontrei. Já são tão raras... Às vezes ainda não sei se acredite.
Portanto, seria de pensar que me sinto bem, que estou bem. Mas não. Acho mesmo que o ser humano (ou pelo menos seres humanos como eu) não consegue sentir-se 100% bem, ou quando consegue dura pouco. Estamos sempre insatisfeitos com alguma coisa. E sinto-me profundamente ingrata por sequer escrever sobre o assunto. Talvez seja por isso que não o tenho feito, mas depois de tanto tempo, já precisava de escrever. É que sinto que tenho estado a viver em "piloto automático", que já não aprecio tanto as coisas, que faço quase tudo por rotina. E não sei como mudar isso. Faço yoga todos os dias, já faz mais de um ano, e é algo que realmente me tem ajudado imenso, a vários níveis. Mas ultimamente tem sido difícil de focar a minha atenção no que quer que seja, parece que aqueles pensamentos que ninguém quer teimam em aparecer. E não sei se é um sinal, de que tenho que abrandar, de que tenho que ver, mais do que olhar, escutar, mais do que ouvir, dizer, mais do que falar. São coisas diferentes.
Não sei do que preciso. Dizes que é porque as minhas amigas se afastaram, cada uma a viver a sua vida. Se calhar até é, embora eu diga que não. Sei que todos temos as nossas vidas, umas mais complicadas que outras, e que mais tarde ou mais cedo as pessoas se afastam, as relações mudam. Mas estas não mudaram, desapareceram. E eu simplesmente perdi o interesse. Não vou estar a insistir, quando da outra parte claramente não há esforço. Parece que casar e ter filhos significa reduzir nos amigos, e manter só os que têm filhos e supostamente compreendem. Eu, que só tenho "filhos de quatro patas" nunca poderia entender nada. Parece. O que nos leva à outra questão, os filhos. Dizes-me que achas que é porque ainda não conseguimos, e eu digo que não. Mas será que não? Tenho pensado que se ainda não aconteceu é porque é suposto ser assim, que tenho muitas coisas em que me focar e coisas que gosto de fazer (os meus livros!), e que até devo aproveitar agora, enquanto não temos filhos, para fazer isso, porque depois as coisas mudam, novamente. Mas a verdade é que às vezes ouço aquela vozinha que diz "Ainda não? Mas não era esse o plano!". E ignoro, e ignoro. E aquela outra vozinha que diz: "Será que não te afastaste também porque não queres que ela te lembre de que ainda não conseguiste?". Pois é, se calhar...
Acho que prefiro continuar a tentar ignorar isso, e ler, e continuar a esforçar-me para desligar a cabeça e ouvir-me respirar. Pode ser que um destes dias me aperceba de que já só ouço a respiração e mais nada. E que essas vozes finalmente se calaram. E que já me sinto melhor.
A verdade é que desde o último post (há mais de um ano!) mudou muita coisa, e mudou muito pouco. No trabalho as coisas têm corrido bem, uns dias avançamos mais, noutros nem tanto, mas estou a fazer o que gosto, e sei que tenho muita sorte só por isso, nunca me esqueço. Em casa também está tudo bem, mais uma vez, tenho mesmo muita sorte. Não é toda a gente que, depois de anos de dúvidas, já quase sem acreditar que algum dia ia acontecer, ainda assim encontra uma pessoa como eu encontrei. Já são tão raras... Às vezes ainda não sei se acredite.
Portanto, seria de pensar que me sinto bem, que estou bem. Mas não. Acho mesmo que o ser humano (ou pelo menos seres humanos como eu) não consegue sentir-se 100% bem, ou quando consegue dura pouco. Estamos sempre insatisfeitos com alguma coisa. E sinto-me profundamente ingrata por sequer escrever sobre o assunto. Talvez seja por isso que não o tenho feito, mas depois de tanto tempo, já precisava de escrever. É que sinto que tenho estado a viver em "piloto automático", que já não aprecio tanto as coisas, que faço quase tudo por rotina. E não sei como mudar isso. Faço yoga todos os dias, já faz mais de um ano, e é algo que realmente me tem ajudado imenso, a vários níveis. Mas ultimamente tem sido difícil de focar a minha atenção no que quer que seja, parece que aqueles pensamentos que ninguém quer teimam em aparecer. E não sei se é um sinal, de que tenho que abrandar, de que tenho que ver, mais do que olhar, escutar, mais do que ouvir, dizer, mais do que falar. São coisas diferentes.
Não sei do que preciso. Dizes que é porque as minhas amigas se afastaram, cada uma a viver a sua vida. Se calhar até é, embora eu diga que não. Sei que todos temos as nossas vidas, umas mais complicadas que outras, e que mais tarde ou mais cedo as pessoas se afastam, as relações mudam. Mas estas não mudaram, desapareceram. E eu simplesmente perdi o interesse. Não vou estar a insistir, quando da outra parte claramente não há esforço. Parece que casar e ter filhos significa reduzir nos amigos, e manter só os que têm filhos e supostamente compreendem. Eu, que só tenho "filhos de quatro patas" nunca poderia entender nada. Parece. O que nos leva à outra questão, os filhos. Dizes-me que achas que é porque ainda não conseguimos, e eu digo que não. Mas será que não? Tenho pensado que se ainda não aconteceu é porque é suposto ser assim, que tenho muitas coisas em que me focar e coisas que gosto de fazer (os meus livros!), e que até devo aproveitar agora, enquanto não temos filhos, para fazer isso, porque depois as coisas mudam, novamente. Mas a verdade é que às vezes ouço aquela vozinha que diz "Ainda não? Mas não era esse o plano!". E ignoro, e ignoro. E aquela outra vozinha que diz: "Será que não te afastaste também porque não queres que ela te lembre de que ainda não conseguiste?". Pois é, se calhar...
Acho que prefiro continuar a tentar ignorar isso, e ler, e continuar a esforçar-me para desligar a cabeça e ouvir-me respirar. Pode ser que um destes dias me aperceba de que já só ouço a respiração e mais nada. E que essas vozes finalmente se calaram. E que já me sinto melhor.
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