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A mostrar mensagens de setembro, 2015

"Há momentos em que ouvir magoa. Seja o que for." (Pedro Chagas Freitas)

Nos últimos dias tenho andado com um peso tão grande em mim... tão grande que às vezes admiro-me de como é que não ando curvada. Nos últimos dias tem sido mais difícil partilhar esse peso. E quando me sinto preparada para o fazer, não tenho com quem. Por isso vou tentar escrever aqui, algo que não faço há muito tempo, porque sinceramente nem sei o que escreva. O doutoramento está quase a acabar. Finalmente. Felizmente. Graças a Deus. Mas começo já a sentir o vazio que vai deixar em mim. Porque vai. Quero acabar, preciso de acabar, preciso de fechar mesmo de vez esse capítulo da minha vida. Mas tenho medo, muito medo. Eu stresso, eu fico ansiosa, eu sinto-me mal, eu duvido cada vez mais de mim. Mas... Mas. Mas é o que eu gosto de fazer. Mas vou tendo algum sossego, nos dias bons. E tenho medo, muito medo. Do que vem a seguir. De deixar de fazer aquilo que gosto - porque é isso que vai acontecer. De descobrir que não há mesmo mais nada em que me sinta realizada - e eu acho que é iss...

E se...?

Eu sei, eu sei. A culpa é minha. Estou assim, sinto-me assim, única e exclusivamente por minha causa. Estou hiper-sensível (pergunto-me se algum dia deixei de estar), cheia de dúvidas, de perguntas, cheia de desilusões... Portanto, sou eu. Sinto-me sozinha. Não me interpretem mal, porque eu sei que não estou (devido a um pequeno-grande milagre que às vezes ainda me questiono de como foi que o mereci, mas isso é outra história). Mas sinto-me sozinha no que vai dentro da minha cabeça. Dá para entender? Acredito que não dê, sei lá. Andei meses a "sofrer" na antecipação de ontem (novamente, sou eu), e depois ontem foi um grande nada, foi assim que o senti. Senti que andei a trabalhar para ser o mais perfeita possível (é preciso voltar a dizer?) naquilo que fui obrigada a fazer, e depois de tanto trabalho, senti que não foi reconhecido. Não precisava de aplausos (esses até houve, houve para todos), mas precisava de algum reconhecimento, não sei. Precisava de alguma coisa mais.  ...

Still here. Still breathing. Well, sort of.

Sim, ainda cá estou. Mais uma daquelas fases em que penso "hoje vou escrever". E logo a seguir penso "e vou escrever o quê?" Às vezes, pura e simplesmente, não me sinto capaz de organizar os meus pensamentos de forma coerente. Muito menos escrevê-los. Não é que hoje me sinta particularmente mais capaz, mas decidi tentar. Quanto mais não seja para ver se ainda sou capaz. Ou se ajuda. Ou... qualquer coisa.  Tenho tanta coisa na minha cabeça, que acho que nem me apercebo de tudo. Não é estranho sentir-me tão à margem de tudo? É que sinto.  Tenho esta apresentação para fazer, na quinta-feira. E seria de esperar que, depois de tantas, a penúltima (sim, já é a penúltima) nem me custasse tanto. Mas custa. Ao ponto de eu estar a fazer o que eu já tantas vezes fiz, que é partir a minha vida no "antes" e "depois de". Estou mesmo muito, muito, muito cansada.  E gostava que algumas coisas fossem diferentes. Gostava que quando viesses, tivesses o...