Avançar para o conteúdo principal

E se...?

Eu sei, eu sei. A culpa é minha. Estou assim, sinto-me assim, única e exclusivamente por minha causa. Estou hiper-sensível (pergunto-me se algum dia deixei de estar), cheia de dúvidas, de perguntas, cheia de desilusões... Portanto, sou eu. Sinto-me sozinha. Não me interpretem mal, porque eu sei que não estou (devido a um pequeno-grande milagre que às vezes ainda me questiono de como foi que o mereci, mas isso é outra história). Mas sinto-me sozinha no que vai dentro da minha cabeça. Dá para entender? Acredito que não dê, sei lá. Andei meses a "sofrer" na antecipação de ontem (novamente, sou eu), e depois ontem foi um grande nada, foi assim que o senti. Senti que andei a trabalhar para ser o mais perfeita possível (é preciso voltar a dizer?) naquilo que fui obrigada a fazer, e depois de tanto trabalho, senti que não foi reconhecido. Não precisava de aplausos (esses até houve, houve para todos), mas precisava de algum reconhecimento, não sei. Precisava de alguma coisa mais. 

E depois chego a casa, estoirada, com uma dor de cabeça do outro mundo. Mas consigo de alguma forma arrastar-me e limpar a casa, porque tem que ser limpa. E consigo ainda dar algum apoio a uma amiga que estava a precisar. E depois de tudo isto, quando finalmente tu estás a vir para casa, estou a tentar explicar-te que me sinto esquisita, que não sei se estou bem. E tu dizes que o que interessa é que acabou (e é verdade) e que vais só ligar à tua mãe. E é isto, são estas coisas. Eu sei que não é possível, acho que nunca vai ser, mas gostava que fosses capaz de perceber quando alguma coisa não está bem comigo. Porque há sinais, pequenas coisas. Porque eu não sou tão simples assim que só sinta alívio, porque acabou. Eu preciso de mais. E tenho tanto medo, tanto medo, porque tu não percebes isso. Tenho medo, porque eu não sou simples, não sou. E gostava de ser, às vezes. Por ti, mais do que tudo. Mas não sou. Eu sou aquela pessoa que se sente extremamente desconfortável por ter que "fazer sala" com outras pessoas, mesmo pessoas da minha ou da tua família. E isso nunca vai ser fácil. E vai complicar tanta coisa... 

E falta já menos de um mês para o casamento. E se...?

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Desabafo

Às vezes canso-me de lidar com as pessoas, e hoje foi um desses dias. Ninguém tem culpa (e se houver culpas a distribuir é a mim), mas é verdade. Quando lido com "desconhecidos" ou simplesmente conhecidos, ou com pessoas no trabalho é diferente. São pessoas que não me conhecem fora daquele contexto, são pessoas que não têm expectativas, que não pressionam, que não acham que sabem, que não se se reservam o direito de abusar da confiança... Quanto mais próximos somos de alguém, mais expectativas estão envolvidas, mais... Hoje foi um dos dias em que me foi mais difícil lidar com isso. Às vezes acontece-me, ter "overdoses" de pessoas. Às vezes apetece-me estar irritada. Não tenho também direito a isso? Às vezes irritam-me as responsabilidades, às vezes só gostava de não estar aqui, de estar nalgum sítio sozinha e fazer o que quer que me apetecesse... O problema é que se, nestes dias, alguém me perguntasse o que é que queria, também não sei. Só sei que não era isto... e ...
"Alma. A palavra ressoou dentro de mim e interroguei-me, como tantas vezes antes, sobre o que seria exactamente. As pessoas falavam constantemente dela mas alguém saberia realmente? Houve momentos em que a imaginei como uma luz-piloto a arder dentro de uma pessoa - uma gota de fogo do inferno invisível a que as pessoas chamavam Deus. Ou uma substância mole, como um torrão de argila ou massa para moldes dentários, que reunia a soma das experiências das pessoas - um milhão de marcas de felicidade, desespero, medo, todas as pequenas perfurações de beleza que jamais conhecemos." - Sue Monk Kidd

Palavras III

"The world was a terrible place, cruel, pitiless, dark as a bad dream. Not a good place to live. Only in books could you find pity, comfort, happiness - and love. Books loved anyone who opened them, they gave you security and friendship and didn't ask anything in return; they never went away, never, not even when you treated them badly." "there was another reason [she] took her books whenever they went away. they were her home when she was somewhere strange. they were familiar voices, friends that never quarreled with her, clever, powerful friends -- daring and knowledgeable, tried and tested adventurers who had traveled far and wide. her books cheered her up when she was sad and kept her from being bored" Um livro que li num instante e que me recordou uma série de coisas, sobretudo a razão de eu gostar tanto de livros, porque é que leio tanto. Já algumas pessoas me perguntou isto, mais ou menos seriamente. A partir deste momento, vou começar a dizer a essas ...