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"Há momentos em que ouvir magoa. Seja o que for." (Pedro Chagas Freitas)

Nos últimos dias tenho andado com um peso tão grande em mim... tão grande que às vezes admiro-me de como é que não ando curvada. Nos últimos dias tem sido mais difícil partilhar esse peso. E quando me sinto preparada para o fazer, não tenho com quem. Por isso vou tentar escrever aqui, algo que não faço há muito tempo, porque sinceramente nem sei o que escreva.

O doutoramento está quase a acabar. Finalmente. Felizmente. Graças a Deus. Mas começo já a sentir o vazio que vai deixar em mim. Porque vai. Quero acabar, preciso de acabar, preciso de fechar mesmo de vez esse capítulo da minha vida. Mas tenho medo, muito medo. Eu stresso, eu fico ansiosa, eu sinto-me mal, eu duvido cada vez mais de mim. Mas... Mas. Mas é o que eu gosto de fazer. Mas vou tendo algum sossego, nos dias bons. E tenho medo, muito medo. Do que vem a seguir. De deixar de fazer aquilo que gosto - porque é isso que vai acontecer. De descobrir que não há mesmo mais nada em que me sinta realizada - e eu acho que é isso que vai acontecer. Por isso agora, nesta fase final, vivo com o peso e o cansaço que isto me traz, cada vez mais. E com o peso do depois. 

O dia do casamento está a chegar. E tenho medo. Dizem que "ah, se correr mal não é pior por se estar casada, sabes isso". Dizem "É só um papel, não muda nada". Dizem "porque é que não te juntas?" Estou tão cansada do que dizem. Porque eu cresci a acreditar no casamento, mesmo contra todas as evidências de que é cada vez mais falível. Mas porque é que me sinto cada vez mais afastada? Porque é que sinto que estamos mais afastados? Eu sei, deve ser normal, é a ansiedade e o cansaço a falar. E não é que não quero casar. Quero. E não brinco com isto. Mas sou eu. Tenho medo. Porque vemos o mundo de uma forma tão diferente... E ultimamente tenho-me sentido cada vez mais sozinha nisto. Não sei o que é que precisava. Se calhar de um dia, só um dia, só nosso. Sem restaurantes, padres, pormenores, doutoramento, dentista, pais. Só nós. Eu queria sentir-me segura, sabes? Não me interpretes mal. Não te digo nada disto agora porque sei como é que essa conversa ia acabar. Queria conseguir explicar-te. Queria conseguir que percebesses o que sinto, o quão cansada estou. E sei que provavelmente o estar a sentir-me assim tem tudo a ver com o quão esgotada eu tenho andado. Fico mais sensível, mais irritada, mais impaciente. E isso é problema meu. Mas o que eu queria mesmo era um dia. Só um. Para sermos só nós. Queria que olhasses para mim e fosses capaz de perceber que eu não estou bem. Porque eu acho que não tens percebido.

 Estou cansada. Não quero estar sozinha. Mas quero. Não consigo chorar. Mas choro. Quero descansar. Mas não descanso. Quero que acabe. Mas não quero acabar. Quero que chegue o dia. Mas não quero. Quero? Alguma coisa no meio disto tudo faz sentido? Não sei, mas também não posso fazer mais nada. É isto.

5 semanas...

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