Nos últimos meses tem sido tão difícil escrever. Acho que quando finalmente o faço começo sempre por dizer isto. Porque não é que não sinta (ou é?), mas não consigo colocar nada em palavras. Nem ditas, quanto mais escritas. Acho que às vezes é preciso um dia em que alguma coisa desbloqueia esses sentimentos todos. Uma música, um sorriso, um livro, uma série de televisão, a frase perfeita, o tom perfeito, o olhar perfeito. Finalmente, aconteceu. Acho que estava a precisar. Foi preciso ver o final do Vampire Diaries para encontrar as minhas palavras. Hoje parei. E está sol. E há silêncio. E ouvi a frase perfeita (digam o que quiserem, mas acompanhar uma série de televisão durante 8 anos, ou mais quando paramos, independentemente de ser uma série futurista, ou de envolver vampiros, o que quiserem... vamos sentir. Porque temos uma relação com os personagens, e porque quando acaba, lembramo-nos de estar a começar a ver, há tantos anos atrás, até de ver mais do que uma vez, com pessoas diferentes, de como as coisas mudaram, e como nós mudamos. Temos que sentir). "I was feeling epic". A frase perfeita, porque acho que hoje é assim que me sinto. E, deixem-me dizer, até que enfim! Acho que tenho sentido pouco (vivido pouco?). Tenho vindo a acumular tudo, e tenho vivido pouco. Por isso hoje aproveito o estar a sentir-me épica (e sim, em homenagem ao Stefan, um personagem totalmente fictício), para deixar tudo aqui. Acho que corremos demasiado, estamos sempre com pressa para chegar a algum lado, para fazer alguma coisa, mas pouco do que fazemos conta realmente. E pouco vivemos, na verdade. E é isso que tenho feito também. Não quero ser assim. Quero conseguir apreciar tudo o que tenho, quero conseguir sorrir mais, e sentir verdadeiramente esses sorrisos, quero continuar a criar estas relações com personagens fictícios, em livros e séries, e chorar com eles quando me apetecer, quero ouvir os pássaros lá fora, ver o sol, sentir o sol também, quero pensar no que digo, sentir o que digo, tudo o que digo. Quero não ter pena de mim mesma, porque não tenho tudo o que queria, porque as coisas não são e nem sempre correm como gostava, porque o ser humano não é como eu gostava. Quero antes acreditar na mesma, no melhor em todos nós, na nossa capacidade para perdoar, para estender a mão, para curar, para construir. Hoje quero acreditar outra vez. Quero acreditar que eu também sou capaz de tudo isso, que eu consigo ser melhor. Que sou a pessoa serena que a minha mãe uma vez escreveu que eu era. Quero ser a pessoa que eles vêem em mim. E tenho que aceitar que isso nem sempre é assim. Mas que posso cair, posso magoar-me, posso chorar, e depois levanto-me, tento outra vez, e faço mais, e faço melhor. E é tudo isto que tenho estado a tentar conciliar. Quero sentir-me épica mais vezes, quero agradecer mais vezes, quero dizer as coisas mais vezes, quero perdoar, a mim e aos outros.
Não tenho tudo o que queria. Não sou, nem tudo correu como planeava. Tudo bem, se calhar tenho que planear menos, e viver mais. Aproveitar cada dia. Parecem frases feitas, mas não são. Ou até são, mas ainda assim é a mais pura das verdades. Vamos falar menos, e fazer mais. Vamos parar de nos queixar, e mudar as coisas. Vamos falar menos do outro, e centrar-nos mais em nós. Vamos estender a mão a quem precisa. Vamos fazer as pazes com o que já passou. Vamos.
Não tenho filhos, posso nunca vir a ter. Mas tenho.
Se calhar perdi muitos amigos, por culpa de ninguém, porque a vida é assim. Mas não perdi, ganhei tanto, e tenho muito mais.
Não tenho a profissão que se esperava de mim, não fiz o que pensei vir a fazer. Mas fiz, fiz o que de melhor podia fazer.
Por isso, isto é hoje. "I was feeling epic". Let's continue that way :)
Comentários
Enviar um comentário