Às vezes sinto-me assim. Vazia. Triste. Angustiada. E não sei porquê. Tenho tido menos momentos destes, com o tempo. O yoga ajuda. Ler ajuda. Respirar ajuda. Mas às vezes, de repente, sei perceber bem porquê... lá vamos nós. Por vezes penso que é a cidade. A confusão, as buzinadelas, o barulho dos vizinhos, os constantes berros e discussões que se ouvem demasiado bem, as risadas com álcool à mistura lá fora. Acho mesmo que esta cidade não é para mim, e quando me sinto assim a vontade de arrumar tudo e ir embora para G. é tão grande... Se calhar depois iria ser o mesmo. Mas é diferente. Já disse muitas vezes e é verdade. Sinto que sou duas pessoas: a pessoa que se adaptou aqui, e a pessoa que não é daqui, de todo, que é de uma cidade muito mais pequena, mais simples, menos confusa, mais sossegada. Antes conseguia separá-las. Quando estou aqui, quase sempre, era a pessoa que sou aqui, e quando voltava lá, para visitar, permitia-me ser eu. Mas cada vez mais essa pessoa aparece, de repente, sem eu estar a contar com isso, e acho que é por isso que me sinto cada vez mais deslocada aqui. Ansiosa, nervosa. Enfim. Às vezes. O que é que eu faço? Espero que passe. Costuma passar.
Às vezes canso-me de lidar com as pessoas, e hoje foi um desses dias. Ninguém tem culpa (e se houver culpas a distribuir é a mim), mas é verdade. Quando lido com "desconhecidos" ou simplesmente conhecidos, ou com pessoas no trabalho é diferente. São pessoas que não me conhecem fora daquele contexto, são pessoas que não têm expectativas, que não pressionam, que não acham que sabem, que não se se reservam o direito de abusar da confiança... Quanto mais próximos somos de alguém, mais expectativas estão envolvidas, mais... Hoje foi um dos dias em que me foi mais difícil lidar com isso. Às vezes acontece-me, ter "overdoses" de pessoas. Às vezes apetece-me estar irritada. Não tenho também direito a isso? Às vezes irritam-me as responsabilidades, às vezes só gostava de não estar aqui, de estar nalgum sítio sozinha e fazer o que quer que me apetecesse... O problema é que se, nestes dias, alguém me perguntasse o que é que queria, também não sei. Só sei que não era isto... e ...
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