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Cinco meses depois... o mundo gira outra vez depressa demais

Sabem aquelas coisas horríveis que nós achamos sempre que só acontecem aos outros? Aquelas coisas que nos contam, ou lemos em jornais ou revistas, ou no facebook, e pensamos "Que horror, nem quero imaginar o que esta pessoa deve estar a sentir". Estão a ver, essas coisas? Um dia acordamos, a pensar que é um dia como outro qualquer, o mundo não está grande coisa mas lá vamos nós tentar fazer melhor, mais um dia, e de repente esse dia acaba por não ser mais um dia qualquer. Acaba por ser o dia em que aquelas coisas que supostamente só acontecem aos outros, aquelas situações que nós achamos que devem ser muito complicadas, acontecem connosco. Sem avisar, sem dar qualquer hipótese para nos prepararmos. E nós ouvimos, e ouvimos outra vez, e de repente começamos a rebobinar tudo para trás, para ver onde é que estavam os sinais, os avisos, porque de certeza que estavam lá, tinham que estar, nós é que não vimos, não estávamos atentos. E andamos para trás, para trás... E nada. E agora andamos para a frente, antecipamos o futuro com estas novas cores (ou ausência delas), e... e ficamos sem chão. E pensamos "não pode ser", depois pensamos "eu sabia que isto ia acontecer" (mas não sabíamos nada). Andamos por aqui todos os dias a pensar que temos escolhas, opções, mas a verdade é que às vezes concluímos que não temos escolhas nenhumas. E quando ouvimos as palavras "não vais poder ter filhos", percebemos que não há escolha nenhuma, e que todos os planos que tínhamos, não passavam de planos. E que é verdade o que dizem "não podemos ter sempre o que queremos.


Mas faria novamente tudo o que fiz, não me arrependo de nenhuma das minhas decisões e opções, nunca penses isso, nem por um segundo.

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