Avançar para o conteúdo principal

Sou eu, eu sei...

Há dias em que sinto uma angústia tão grande em mim, que mal aguento o peso. Nesses dias, é difícil explicar, é difícil falar, é difícil caminhar, é difícil, ponto. E nem sei bem o que leva a isto. Talvez exaustão. Talvez rotina. Talvez preocupação. Talvez stress. Talvez eu. Sou eu, eu sei. 

Há dias em que quero estar em todo o lado menos aqui. Em que quero ser toda a gente menos eu. Em que quero pensar em tudo menos no que penso. Em que quero sentir tudo menos o que sinto. Há dias assim. E sinceramente, nesses dias, não sei bem o que fazer. Sou eu, eu sei.

Há dias em que sinto tanta falta de quem já não está. Dos dias que já foram. De quem eu já fui. Será normal haver dias assim, em que só queríamos voltar a ser crianças, voltar atrás? Em que só queríamos voltar àquelas tardes sem fazer nada, a achar que se estava a fazer tudo? É normal? Sou eu. Eu sei que sou eu.

Há dias assim. E ultimamente têm sido alguns. Em que me sinto presa em alguém que não sei se sou eu. Em que preciso de parar, mas não consigo. Precisava que alguém me dissesse que isto é normal, que eu sou normal. Mas eu quero ser normal? Não sei se quero. Sei que estou sozinha, todos os dias. Que costumava ter amigas, falar com pessoas. Não sei para onde foram... E por favor não me interpretem mal, eu tenho tanta sorte. Porque  na verdade não estou sozinha, no fundo eu sei que não. Tenho tanto... E adoro a minha vida, não tenho absolutamente nenhuma razão de queixa. Não tenho. Mas... mas há dias assim. Não sei bem como me sinto. Parece que estou com um pé num lado e outro noutro, muito longe, a esticar, a esticar... até ao ponto em que não dá mais, em que sei que vou partir.

Há dias em que quero ser tudo menos eu. Sentir tudo menos o que sinto. Fazer tudo menos o que faço. Pensar em tudo menos no que penso. Sou eu, eu sei.

Não posso dizer-te isto, porque ias achar que é contigo, que tens que fazer mais, que dar mais. E não tens. Não é nada contigo. Sou eu, sabes? Sou eu que às vezes preciso de chegar a este ponto de ruptura, parece. E nem eu percebo...


Comentários