"To love. To be loved. To never forget your own insignificance. To never get used to the unspeakable violence and the vulgar disparity of life around you. To seek joy in the saddest places. To pursue beauty to its lair. To never simplify what is complicated or complicate what is simple. To respect strength, never power. Above all, to watch. To try and understand. To never look away. And never, never, to forget."
Arundhati Roy
Na minha humilde opinião, este parágrafo resume bem aquilo que cada um de nós devia tentar fazer, em cada dia da sua vida. A vida é isto tudo... e é só isto. Podemos ser isto tudo e ainda mais.
Só acrescentaria uma coisa aqui. Acho que é essencial um pouco de loucura na vida de todos nós. Como dizia hoje a uma amiga minha, acho que ajuda a manter a sanidade (passa o paradoxo, mais uma vez). Como é que esperam lidar com todas as notícias horríveis que se vêem e ouvem na televisão? Como lidar com o egoísmo, com a superficialidade de muita gente? Como lidar com a nossa própria solidão? Eu falo por mim, gozo bem a minha dose de loucura e acho que não faz mal a ninguém, desde que não seja levada a extremos ou permanente.
Quem de nós nunca precisou de gritar, pura e simplesmente? Quem nunca precisou de reclamar, de deprimir, de discutir, de atirar com alguma coisa, de não se levantar da cama? Pois é, acho que todos já tivemos momentos desses.
O meu conselho? Nessas alturas, finjam que não compreendem, finjam que está tudo bem. Não de forma hipócrita, isso não, é uma atitude que me dá cabo dos nervos. Mas corram à chuva, andem sem rumo, cantem a altos berros, digam piadas que não metem piada nenhuma, piadas que inclusive não sentem. Tenham coragem de serem vocês mesmos, mesmo que não apeteça, mesmo que custe. Esqueçam o resto, esqueçam o politicamente correcto, esqueçam as pessoas que passam na rua e podem ver, e podem julgar. Há momentos em que, dentro de limites legais e éticos, acho que as regras têm que ser esquecidas, e são estes: momentos de dúvida, momentos de desespero. Procurem os sinais, porque eles existem, eles estão aí, se os soubermos procurar e sobretudo se os soubermos reconhecer como tal. E não, não são nada de sobrenatural, antes pelo contrário. Procurem.
Ser malucos por momentos, divagar, acreditar, viver. Prefiro de longe ser um bocadinho maluca e viver. De longe.
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