"Por vezes o mundo oferece-nos presentes destes, umas breves tréguas quando o gongo do ringue de boxe soa e vamos para o nosso canto, onde alguém passa uma esponja húmida e fresca sobre a nossa vida ferida e magoada"
(Sue Monk Kidd, "A vida secreta das abelhas")
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Hoje foi um dia simples, penso que terá sido um bom começo de ano. Não posso dizer que a rotina tenha sido outra porque não foi, mas fiz uma coisa que não fazia à muito tempo aqui: ri com vontade. Parece estupidez dito assim, mas estava a precisar. Tal como às vezes preciso de chorar, para limpar tudo o que cá está dentro a magoar, acho que às vezes estes "ataques de riso" também são necessários, ajudam a respirar. O motivo foi ridículo, mas o que importa é que durante aqueles minutos eu fui eu e só eu, sem problemas anexados, sem "mas", sem "talvez". Pode dizer-se que hoje foi um dia em que eu fui simples, em que eu fiz aquilo que me passou primeiro pela cabeça, sem pensar muito. Uma sensação boa.
Uma outra coisa que fiz foi evitar o evitamento. Sem sentido? Pois, provavelmente. Mas decidi que se quero mesmo colocar o máximo de mim em tudo o que faço, tenho que deixar de fugir. Acho que até hoje a minha ideia de recomeçar era tentar apagar, esquecer. Bem, não resultou. Já sei que acabou, já sei que não há volta a dar, já sei que a culpa foi muito minha, sei que fui eu que nos afastei e, acima de tudo, sei que as memórias não vão desaparecer, sei que vai haver sempre uma parte de mim que vai ter saudades, que vai recordar e sofrer. A única coisa que posso fazer é, tendo tudo isso em mente, fazer as pazes comigo mesma, deixar ir... Acho que ainda não me perdoei completamente, talvez nunca consiga, mas consigo andar para a frente e é o que vou fazer.
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