Avançar para o conteúdo principal

Estou triste

Estava a ver um episódio de "Dawson's Creek" (que me pôs a chorar, coisa que já não me acontecia há muito tempo, mas acho que hoje era mesmo o que precisava) e, não sei porquê, ocorreu-me uma ideia. Aqui em casa, quando alguma de nós está mais em baixo, dizemos que estamos deprimidas. Ora, eu sei por experiência que isso nem é uma designação correcta, mas à parte os aspectos técnicos... "Deprimida", "deprimente" são palavras que usamos frequentemente.
Daí a minha questão: porque é que eu digo "estou deprimida" e não "estou triste"? Pode parecer uma pergunta estúpida e irrelevante, mas a resposta que me surgiu foi interessante e pôs-me a pensar. Digo "estou deprimida" porque é mais fácil do que dizer "estou triste" (pelo menos eu acho). Não sei bem porquê, mas sinto-me mais vulnerável ao dizer que "estou triste", quando essa até é a expressão correcta. Há cada vez mais coisas tristes no mundo, infelizmente, e a expressão "depressão", "deprimida" é cada vez mais usada e é dita com mais naturalidade. Poucas vezes disse "estou triste", mas recordo-me de que quando o fiz foi em alturas em que estava mesmo muito mal. Admitir tristeza é um pouco sinónimo de fraqueza, de vulnerabilidade, até de "lamechisse", por vezes. Porque é que admitir depressão não é? Para quem não sabe, depressão é uma perturbação psicológica que pode ser muito grave, marca um funcionamento perturbado da pessoa, não é um sentimento que por vezes marca presença nos nosso dias. E levanto este problema porque acho que a facilidade com que usamos a expressão "deprimir" é um mau sinal, é um sinal de que poderá ser-nos fácil alcançar esse estado realmente.
Por isso, eu estou triste.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Desabafo

Às vezes canso-me de lidar com as pessoas, e hoje foi um desses dias. Ninguém tem culpa (e se houver culpas a distribuir é a mim), mas é verdade. Quando lido com "desconhecidos" ou simplesmente conhecidos, ou com pessoas no trabalho é diferente. São pessoas que não me conhecem fora daquele contexto, são pessoas que não têm expectativas, que não pressionam, que não acham que sabem, que não se se reservam o direito de abusar da confiança... Quanto mais próximos somos de alguém, mais expectativas estão envolvidas, mais... Hoje foi um dos dias em que me foi mais difícil lidar com isso. Às vezes acontece-me, ter "overdoses" de pessoas. Às vezes apetece-me estar irritada. Não tenho também direito a isso? Às vezes irritam-me as responsabilidades, às vezes só gostava de não estar aqui, de estar nalgum sítio sozinha e fazer o que quer que me apetecesse... O problema é que se, nestes dias, alguém me perguntasse o que é que queria, também não sei. Só sei que não era isto... e ...
"Alma. A palavra ressoou dentro de mim e interroguei-me, como tantas vezes antes, sobre o que seria exactamente. As pessoas falavam constantemente dela mas alguém saberia realmente? Houve momentos em que a imaginei como uma luz-piloto a arder dentro de uma pessoa - uma gota de fogo do inferno invisível a que as pessoas chamavam Deus. Ou uma substância mole, como um torrão de argila ou massa para moldes dentários, que reunia a soma das experiências das pessoas - um milhão de marcas de felicidade, desespero, medo, todas as pequenas perfurações de beleza que jamais conhecemos." - Sue Monk Kidd

Palavras III

"The world was a terrible place, cruel, pitiless, dark as a bad dream. Not a good place to live. Only in books could you find pity, comfort, happiness - and love. Books loved anyone who opened them, they gave you security and friendship and didn't ask anything in return; they never went away, never, not even when you treated them badly." "there was another reason [she] took her books whenever they went away. they were her home when she was somewhere strange. they were familiar voices, friends that never quarreled with her, clever, powerful friends -- daring and knowledgeable, tried and tested adventurers who had traveled far and wide. her books cheered her up when she was sad and kept her from being bored" Um livro que li num instante e que me recordou uma série de coisas, sobretudo a razão de eu gostar tanto de livros, porque é que leio tanto. Já algumas pessoas me perguntou isto, mais ou menos seriamente. A partir deste momento, vou começar a dizer a essas ...