Estava a ver um episódio de "Dawson's Creek" (que me pôs a chorar, coisa que já não me acontecia há muito tempo, mas acho que hoje era mesmo o que precisava) e, não sei porquê, ocorreu-me uma ideia. Aqui em casa, quando alguma de nós está mais em baixo, dizemos que estamos deprimidas. Ora, eu sei por experiência que isso nem é uma designação correcta, mas à parte os aspectos técnicos... "Deprimida", "deprimente" são palavras que usamos frequentemente.
Daí a minha questão: porque é que eu digo "estou deprimida" e não "estou triste"? Pode parecer uma pergunta estúpida e irrelevante, mas a resposta que me surgiu foi interessante e pôs-me a pensar. Digo "estou deprimida" porque é mais fácil do que dizer "estou triste" (pelo menos eu acho). Não sei bem porquê, mas sinto-me mais vulnerável ao dizer que "estou triste", quando essa até é a expressão correcta. Há cada vez mais coisas tristes no mundo, infelizmente, e a expressão "depressão", "deprimida" é cada vez mais usada e é dita com mais naturalidade. Poucas vezes disse "estou triste", mas recordo-me de que quando o fiz foi em alturas em que estava mesmo muito mal. Admitir tristeza é um pouco sinónimo de fraqueza, de vulnerabilidade, até de "lamechisse", por vezes. Porque é que admitir depressão não é? Para quem não sabe, depressão é uma perturbação psicológica que pode ser muito grave, marca um funcionamento perturbado da pessoa, não é um sentimento que por vezes marca presença nos nosso dias. E levanto este problema porque acho que a facilidade com que usamos a expressão "deprimir" é um mau sinal, é um sinal de que poderá ser-nos fácil alcançar esse estado realmente.
Por isso, eu estou triste.
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