
"De vez em quando, todos nós nos perdemos, às vezes devido a forças que estão fora do nosso controlo. Quando descobrimos aquilo de que a nossa alma precisa, o caminho apresenta-se sem esforço à nossa frente. Por vezes, vemos a saída, mas mesmo assim desviamo-nos para mais longe e mais fundo apesar do que sabemos; o medo, a raiva ou a tristeza são o que nos impede de regressar. Por vezes, preferimos andar perdidos a vaguear, porque por vezes é mais fácil. Outras vezes acabamos por encontrar o nosso caminho. Mas seja qual for o caso, somos sempre encontrados por alguém." (Cecelia Ahern, "Um lugar chamado aqui")
Alguma vez perderam o vosso caminho? Alguma vez acharam que sabiam tão bem o que queriam, que deixaram de ter certezas? Alguma vez olharam para o espelho sem ter bem certeza de quem estavam a ver? Sem ter a certeza de que conheciam aquela pessoa? Já me aconteceu, mais do que uma vez. Alturas em que tentei determinadamente chegar a algum sítio, sem ter a certeza de querer chegar lá, ou do porquê de querer chegar. Alturas em que me esforcei tanto para alcançar um objectivo, para perceber depois que aquele objectivo não era mesmo meu. Alturas em que parei e pensei: "O que é que estou mesmo a fazer? Onde é que quero ir daqui?". Foi então que percebi, mesmo sem perceber, que é nas tentativas que faço para alguma coisa, que vou entendendo quem sou, o que quero. Que é tão normal querer e não conseguir alcançar, como é normal conseguir alcançar mas na verdade não querer. Que tenho que tentar, isso é o mais importante. Tentar, falhar, duvidar, questionar, e até desistir, para perceber realmente onde quero ir. Para me encontrar.
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