Ontem tive oportunidade de confirmar a minha conclusão de que as pessoas são realmente "bichos" demasiado complicados (não me excluindo a mim mesma, claro). Como é que é possível que num momento sejamos capazes de ser generosos, amigos, solidários, confiáveis... e noutro momento ser egoístas, orgulhosos..? Não percebo (se calhar também não é para perceber, somos seres humanos e ponto).- "Afeição por uma pessoa; simpatia, dedicação; favor" (isto segundo o Dicionário da Língua Portuguesa, da Porto Editora)
- "Sentimento de simpatia recíproca entre duas ou várias pessoas independente de um vínculo sexual ou de parentesco." (dicionário informal.com.br)
- "Fruto do hábito e da vontade, a amizade, segundo Aristóteles -- que a eleva à categoria de virtude -- é uma disposição permanente que decorre de uma escolha livre e recíproca. Além disso, o outro é amado por ele próprio e não por um cálculo mais ou menos egoísta: Aristóteles desqualifica as amizades estabelecidas com base na utilidade ou simples prazer.Esta concepção muito forte da amizade encontra-se em Montaigne: «Na verdadeira amizade, diz ele, dou-me ao meu amigo mais do que dele quero para mim.» Sob esta forma, a amizade é considerada desde a Antiguidade como a própria expressão da felicidade." (dicionário informal.com.br)
A não ser que depois do acordo ortográfico ou outro evento importante dos últimos tempos as definições tenham sido alteradas, eu acho que a ideia é a mesma, certo? Só para confirmar. Gostava mesmo de saber ser insensível ao ponto de não permitir às pessoas magoarem-me como magoam, gostava mesmo de ser capaz de simplesmente ignorar e passar à frente, gostava de ter uma capa protectora qualquer ou de ser como os computadores, em que podemos clicar "delete" e apagar o que não queremos... É, dava jeito. Apagar o que magoa, o que pesa, o que torna tudo difícil... Não era mais fácil? Mas também, quem disse que era para ser fácil? E também sou um ser humano. Neste caso, um ser humano que está a chegar ao limite com algumas coisas. É muito bonito estarmos em baixo e podermos falar com um "amigo", não é? É muito bonito sentir-mo-nos mal e podermos telefonar a alguém, ou receber-mos uma visita mesmo (e sobretudo) quando não pedimos nem contamos com isso, certo? Quem não gosta? De sentir que, pelo menos, não está sozinho? Mas e depois? E depois o que aconteceu àquela parte de estarmos lá também para alguém que precisa? Pois é, se calhar não é tão fácil essa parte. Se calhar não é tão simples abdicar de uma hora que seja para "estar lá". Mas, repito: quem disse que era suposto ser fácil?
Pronto, fica aqui mais um desabafo de alguém que está simplesmente cansada, simplesmente farta. Cansada de se preocupar com as pessoas importantes, cansada de dar novas oportunidades, cansada de pensar "E se...", cansada de tentar compreender... cansada, só isso.
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