
"O Gatsby acreditara na luz verde, no orgíaco futuro que, ano após ano, foge e recua diante de nós. Se hoje nos iludiu, pouco importa: amanhã correremos mais depressa, alongaremos mais os braços... Até que uma bela manhã... Assim vamos teimando, proas contra a corrente, incessantemente cortando as águas, a caminho do passado que não volta."
(Scott Fitzgerald, "O Grande Gatsby")
Há dias em que acordo já fora do tempo. Dias em que me sinto como se não estivesse aqui, agora. Dias em que parece que ando constantemente a reviver o que já passou, a andar para trás, a ouvir e sentir pessoas que não estão aqui... É uma sensação estranha, muito estranha. Estou aqui e não estou. Estou rodeada dos ecos... ecos que magoam porque estão perdidos, mas que ao mesmo tempo me fazem sentir melhor porque existiram...Esquisito, não é? Quero sair deste estado, voltar ao meu "eu normal"... e não quero. Por mais que lamente, tudo isto já passou, não vai voltar nunca, o mundo continua a girar. O que está feito está feito e ponto. Não gosto de ilusões. Mas é reconfortante saber que aconteceu, que houve uma altura em que eu não estava tão sozinha, em que sabia (mesmo que não fosse verdade) que podia pegar no telemóvel, marcar um número e falar... e, sobretudo, ser ouvida.
Enfim... a complexidade do ser humano é mesmo uma coisa que me fascina. Queixamo-nos quando temos (ou achamos que temos) problemas... Mas se não temos (ou se estamos a aprender a viver com eles), tentamos arranjar mais, mesmo que inconscientemente. Mesmo que consistam em lamentar o que já foi.
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