Avançar para o conteúdo principal

Palavras perdidas

Hoje deixo aqui algumas coisas que gostava/precisava de ter dito e perguntado a certas e determinadas pessoas que passaram pela minha vida (e outras ainda lá estão, embora algumas estejam actualmente algo esbatidas ou a caminhar para lá... percebam ou não) e depois saíram deixando para trás só cacos como recordação. Até nem me importaria, se o que ficou em cacos não tivesse sido eu. Claro que, infelizmente e como geralmente acontece, não disse a estas pessoas nada disto, não perguntei nada, por lhes ter dado mais valor do que aquele que aparentemente alguma vez tive para elas. Isto não quer dizer que guarde rancor... o pior já passou. Mas fica sempre aquela sementinha do "E se". É uma sementinha de que não gosto nada, diga-se de passagem. E neste momento, preciso de fazer este exercício, na esperança de que ajude a libertar a tensão. Então aqui vai. Tudo o que ficou por dizer:


"Obrigada. Detesto-te por me teres magoado tanto, por teres destruído parte de quem eu era e adoro-te (ou a recordação que tenho de ti) por me teres ajudado a crescer e a tornar-me quem eu sou. Espero sinceramente que consigas tudo o que desejas na vida, que sejas muito feliz, mesmo que tenhas sido a principal pessoa a ensinar-me o quanto gostar pode significar magoar. Quando é que começou tudo a ser uma mentira? Será que podes agora sair de vez e levar todos os ecos e fantasmas contigo?"

"Lamento muito se para mim amizade significa estar lá (nos dois sentidos), mas destesto (pura e simplesmente DETESTO) que me evitem. Se não queres falar comigo não fales, mas deixa isso bem claro primeiro. Há coisas que têm que ser ditas e ponto final. Porque é que não falas?"


"Desculpa, por não ter sido quem esperavas que fosse, por ter contribuído para o fim dos nossos planos, por ter sido egoísta. Mas também me magoaste, também me deixaste sozinha quando eu mais precisava de alguém. Sabes o que é precisar só que alguém esteja ali e não estar ninguém? Eu também precisava que fosses essa pessoa para mi, eu também precisava que tentasses (só tentar!) compreender-me. Porque é que era assim tão difícil?"


"Adoro-te. Tenho muita pena que por vezes não o saiba demonstrar tanto quanto devia. Por favor, por favor, podes fazer um esforço? Podes tentar?"

Ficam aqui as questões, as palavras. Porque é que não digo /não disse? Por medo de que a desilusão possa de alguma forma aumentar mais ainda, por cobardia, por pena, por desgosto, por já ter passado os limites, por não ter esperança... Não sei. Quando souber, simplesmente sei.


AS PALAVRAS


São como um cristal,

as palavras.

Algumas, um punhal,um incêndio.

Outras,orvalho apenas.

Secretas vêm, cheias de memória.

Inseguras navegam;

barcos ou beijos,as águas estremecem.

Desamparadas, inocentes,leves.

Tecidas são de luze são a noite.

E mesmo pálidasverdes paraísos lembram ainda.

Quem as escuta?

Quem as recolhe, assim,cruéis, desfeitas,nas suas conchas puras?

(Eugénio de Andrade)

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Desabafo

Às vezes canso-me de lidar com as pessoas, e hoje foi um desses dias. Ninguém tem culpa (e se houver culpas a distribuir é a mim), mas é verdade. Quando lido com "desconhecidos" ou simplesmente conhecidos, ou com pessoas no trabalho é diferente. São pessoas que não me conhecem fora daquele contexto, são pessoas que não têm expectativas, que não pressionam, que não acham que sabem, que não se se reservam o direito de abusar da confiança... Quanto mais próximos somos de alguém, mais expectativas estão envolvidas, mais... Hoje foi um dos dias em que me foi mais difícil lidar com isso. Às vezes acontece-me, ter "overdoses" de pessoas. Às vezes apetece-me estar irritada. Não tenho também direito a isso? Às vezes irritam-me as responsabilidades, às vezes só gostava de não estar aqui, de estar nalgum sítio sozinha e fazer o que quer que me apetecesse... O problema é que se, nestes dias, alguém me perguntasse o que é que queria, também não sei. Só sei que não era isto... e ...
"Alma. A palavra ressoou dentro de mim e interroguei-me, como tantas vezes antes, sobre o que seria exactamente. As pessoas falavam constantemente dela mas alguém saberia realmente? Houve momentos em que a imaginei como uma luz-piloto a arder dentro de uma pessoa - uma gota de fogo do inferno invisível a que as pessoas chamavam Deus. Ou uma substância mole, como um torrão de argila ou massa para moldes dentários, que reunia a soma das experiências das pessoas - um milhão de marcas de felicidade, desespero, medo, todas as pequenas perfurações de beleza que jamais conhecemos." - Sue Monk Kidd

Palavras III

"The world was a terrible place, cruel, pitiless, dark as a bad dream. Not a good place to live. Only in books could you find pity, comfort, happiness - and love. Books loved anyone who opened them, they gave you security and friendship and didn't ask anything in return; they never went away, never, not even when you treated them badly." "there was another reason [she] took her books whenever they went away. they were her home when she was somewhere strange. they were familiar voices, friends that never quarreled with her, clever, powerful friends -- daring and knowledgeable, tried and tested adventurers who had traveled far and wide. her books cheered her up when she was sad and kept her from being bored" Um livro que li num instante e que me recordou uma série de coisas, sobretudo a razão de eu gostar tanto de livros, porque é que leio tanto. Já algumas pessoas me perguntou isto, mais ou menos seriamente. A partir deste momento, vou começar a dizer a essas ...