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Não gosto disso

Mudar é inevitável. O tempo passa, queiramos ou não, e nós não permanecemos imutáveis, vamos crescendo, com as experiências que vamos tendo, com as pessoas que vamos conhecendo, com o que vamos vendo e ouvindo...

E a esperança é óptima de se ter (acredito mesmo que pode fazer a diferença em muitas situações, não estou a ser irónica), mas como tudo o que é óptimo de ter, é difícil de manter.

E sabem que mais é que é difícil? Acordar todos os dias e gostar de quem se vê ao espelho. E não falo de aspectos físicos, isso é um caso à parte. Falo daquele brilho nos olhos (sim, isso, esperança) que se vai esbatendo diariamente, sem darmos conta. Há sinais, claro: o dia em que acordamos e não nos apetece levantar, o dia em que simplesmente nos sentimos irritados, o dia em que percebemos que sorrir custa, ou que já não tem qualquer significado. Acontece a todos. É triste perceber que fui perdendo esse brilho. É triste perceber que me sinto sozinha e que começo a habituar-me a isso, ao ponto de quase nem notar já.

Eu sei, eu sei. A vida não é suposto ser um conto de fadas, nem teria qualquer piada se fosse, os contos de fadas são especiais por isso, porque estão na imaginação, não acontecem na realidade. E eu estou bem, não ando aqui a deprimir e tenho coisas para fazer. Mas esta semana fui lembrada de quem era há um ano atrás, e a diferença daí para hoje é enorme. Nem é o estar mais sozinha, é o começar a acreditar que é assim que deve ser, que estar com outras pessoas é simplesmente um bónus, que acontece muito de vez em quando. Não sei. Mas sinto que em muitos aspectos, curso ou não, retrocedi. Não gosto disso.

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