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"Does anybody hear her? Can anybody see?"

Está um dia lindo, e eu estava bem disposta. Estava. À umas horas atrás estava. A treta do costume.

Não consigo perceber, simplesmente não consigo. A sério que tento, mas não dá. E sei que não devia ligar a nada disto, há coisas que nunca mudam, e pronto. Mas não consigo simplesmente ignorar. Porque eu quero mudar, mas assim não consigo. Quero ser independente, quero ser mais do que isto, quero esquecer o passado e construir o futuro. Mas como é que se pode crescer se quem está à nossa volta não deixa, conscientemente ou não? Passei o dia todo a tentar convencer-me a perder o medo e agir. Bastou uma frase para me fazer mudar de ideias. Não sei porque é que me deixo afectar tanto. Acho que este efeito nunca vai mudar. Por mais que goste de aqui estar, acabo sempre por chegar a este ponto. Se quem me prende sou eu mesma ou alguém mais, não sei. Mas a verdade é que acontece. Às vezes acho que devo mesmo ser quem eles acham. Serei tão frágil assim? É por isto que preciso da distância. Para me conseguir lembrar de quem sou agora, para não me deixar ir abaixo com o peso das memórias, para conseguir seguir em frente.

Às vezes só me apetece gritar. Já não sou essa pessoa, sabem? Mudei! Cresci! E pretendo continuar a fazê-lo, não quero ficar assim para sempre. Acredito na mudança, tenho que acreditar. E acredito que não é com porcarias de comprimidos que se "cura" a tristeza, a preocupação. Não são coisas curáveis. São passíveis de ser geridas, de ser algo esbatidas, mas nunca curáveis. Porque nós seres humanos temos uma coisa muito bonita (ou não) chamada memória. E há muita coisa que não se esquece. Por isso não é com comprimidos que se vão curar pesadelos e começar a tomá-los é só começar um vício. Não se iludam. Os pesadelos até podem tornar-se menos frequentes. Mas acham mesmo que o problema está resolvido? Daqui a uns anos vai estar a tomar doses cada vez maiores para conseguir chegar ao final do dia. E depois? Mas ok, comprimidos está óptimo, psicólogo é que não, nem pensar! Vamos continuar a fingir que está tudo bem, que não é preciso tomar uma atitude, que os anos não passaram nem vão continuar a passar.

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