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"Sometimes it lasts in love, sometimes it hurts instead"

Não sei porquê hoje... Não sei sequer porquê, ao fim de tanto tempo. Mas até sei. Porque estou de volta, não é? Já estava a estranhar estar aqui e isto não acontecer. Estava a tardar...

Hoje voltei a encontrar-te. Não, não foi preciso ver-te na rua, porque na minha cabeça ainda te vejo nitidamente. Ainda nos vejo nitidamente. Acho que nunca vou deixar de ver. É engraçado (ou não), mas às vezes passo meses sem conseguir rever a tua cara, sem me lembrar de ti, sem lembrar, ponto. E depois tenho estes dias em que não consigo livrar-me de nós, em que recordar dói tanto (como dói) que não sei como é que não se vê, como é que consigo respirar. Mas consigo.

Não é porque eu quero voltar a ver-te (quero?). Já não ando pelas ruas à espera de te encontrar. Já não custa tanto passar nos "nossos" sítios. Mas acho que, embora na altura não sinta nada de especial, acumula-se tudo e depois tenho pesadelos como o de ontem, aos quais se seguem dias como hoje. Em que me lembro de tudo. Em que estou a fazer alguma coisa e, não sei como, não sei de onde, apareces tu. Apareço eu.

Porque aqui, acho que vou sentir-me sempre aquela miúda que acreditava em contos de fadas, aquela que, contra tudo e todos, acreditava em ti. Por mais anos que passem, não consigo não me sentir assim. Nem seria assim tão mau, se não me custasse tanto. E se não acordasse sempre com medo de voltar a ser ela, de não conseguir arranjar espaço no meu coração para mais ninguém, de não conseguir nunca mais confiar completamente, de nunca mais me livrar das marcas... de nunca mais me livrar de ti e do "podia ter sido". Será que podia? Daquelas perguntas estúpidas, que ficarão sempre sem resposta... E se (eu tivesse feito alguma coisa, se tivesse sido agora)?

"Nothing compares,
No worries or cares,
Regrets and mistakes, they're memories made,
Who would have known how bittersweet this would taste?" - Adele

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