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Finalmente, um rumo, no meio de tanto nada

Tenho andado a pensar, para variar. Tenho tido imenso tempo para pensar. E acho que estou a melhorar.

Não, não tenho feito nada de especial. Os meus dias têm sido quase todos mais do mesmo. As coisas aqui não estão nada bem, é só problemas. O ambiente está longe de ser festivo. Mas não estou a ser tão afectada por isso como pensava... até ver, pelo menos.

Tenho andado, já há muito tempo, muito preocupada com o facto de não acontecer nada na minha vida, de estar completamente perdida, de andar a duvidar de imensas coisas, de não saber para que lado me virar... Agora acho que talvez o nada em que tenho andado esteja a ser benéfico. Uma coisa é certa, obriga-me a puxar mais por mim.

Temos uma tendência para nos acomodarmos com o que temos, com onde estamos, com quem conhecemos etc etc. Acomodamo-nos e, ao fim de um tempo, começamos a tomar as coisas como garantidas e, consequentemente, deixamos de lhes dar tanto valor diariamente. Acho que é normal. A vida pede tanto de nós, todos os dias, que começamos a deixar algumas coisas para segundo plano. Quando somos forçados a sair dessa nossa zona confortável, seja porque razão for, é normal que fiquemos stressados, até deprimidos. Eu fui obrigada a sair, fui obrigada a esforçar-me um bocadinho mais... e digamos que as coisas não têm corrido muito bem. Bem, se calhar essa era a dica para eu perceber que tinha que tentar outro caminho, que tinha que criar alternativas. Acho que é tudo uma questão de criar alternativas. Porque mesmo quando está tudo tão mal que não estamos a conseguir ver um palmo à frente do nariz (pelo menos um palmo razoável) elas estão lá.

E sabem que mais? A vida é nossa. Descobri também que me tenho esquecido que esta é a minha vida, que tenho que deixar de dar tanta importância àquilo que algumas pessoas pensam de mim, mesmo que sejam das pessoas mais importantes da minha vida. Porque nem sempre têm razão, mesmo que achem que sim. Porque não sabem tudo sobre mim, mesmo que achem que sim. Tenho que viver, antes de mais, para mim. E para poder chegar ao final de cada dia e pensar "aproveitei bem, dei o meu melhor". Há tanto tempo que não consigo pensar isso! Estou no meio de nada... e perto de tudo.

É fácil perder a esperança, é fácil desanimar, é fácil procurar e atribuir culpas, é fácil ficar a remoer no que foi e no que não foi, é fácil desistir, é fácil virar a cara, é fácil escondermo-nos. Mas acho que todos precisamos desses dias, dessas fases, de optar pelo fácil, mesmo sabendo que não adianta nada, que não é o mais certo. E depois, é encontrar força para seguir em frente, para o mais difícil. E o mais difícil é mesmo levantar a cabeça, enfrentar os medos, e andar para a frente, apesar de tudo. É mesmo, mesmo difícil. É preciso sabermos primeiro onde estamos. É preciso inspiração. É preciso força de vontade. É preciso sorrir. É preciso chorar. É preciso ter alguém por perto. É preciso tanta coisa! Acho que é por isso que é tão difícil. Mas às vezes, podemos encontrar isso tudo e até mais, precisamente... onde estamos, no meio de nada.

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