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E o passado vem novamente à tona

Não sei porque é que achei que era possível manter-se uma amizade como a nossa, considerando que tu és e serás sempre tu... Tenho pena, mesmo. Porque ontem, não sei porquê nem porque não, pareceu-me ver alguma coisa... alguma coisa que eu já tinha visto, há muito tempo...

Tal como as coisas não mudaram connosco, também não mudaram para ti. Continuas igual, e embora em certos aspectos isso seja positivo, também me recorda porque é que nunca resultou connosco, porque é que tudo o que eu esperar de ti é demais. Ontem, cheguei a pensar que se calhar nunca pudemos ser simplesmente amigos (com ênfase no simplesmente), por causa do que eu senti. Agora ficou claro que nunca pudemos ser simplesmente amigos porque tu não consegues sê-lo. Não te recrimino por isso (já passei essa fase), tu és tu e nada feito, mas tenho pena. Há tantas coisas sobre as quais gostava de falar contigo! Enfim, nada feito...

Não vou ficar aqui a lamentar-me. Tenho saudades tuas, todos os dias, estaria a mentir se negasse. Gostava de não ter. E gostava que não doesse quando te vejo. Gostava de não me lembrar de nós. Gostava de tanta coisa! A verdade é que não temos tudo o que gostamos, o tempo não volta atrás e temos que nos aceitar como somos, paciência. Por isso aceito e vou tentar não ficar magoada contigo novamente, por estares a ser tu mesmo. E vou dar o meu melhor para ignorar o facto de que ontem, quando olhaste para mim, senti -me momentaneamente feliz, como não sentia há muito tempo. Por momentos, foi como se nunca tivesses ido embora. Mas foste. E sei que não voltas.

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