E voltamos ao mesmo. Começo a achar que sou de facto mais maluca do que pensava. Serei? Hoje tive mais uma das minhas sempre amigas crises. Pois, eu bem que estava a ver... Boa notícia: desta vez sei que não tenho nada na cabeça que as justifique, os exames estão feitos. Má notícia (ou não): é psicológico! O que quer dizer que posso controlar, mas não estou a conseguir. Na verdade, isto começou há dois dias, foi quando senti a primeira vez. Pensei: "bem , foi só uma vez e foi fraquinho, isto passa, só tenho que sair desta fossa em que me meti". Pois. Não só não saí da fossa, como acho que estou a começar a habituar-me a ela. Não é tão giro como somos uma cambada de mentirosos?! E sabem a quem mentimos mais? A nós mesmos. Pois, é verdade. Quando andava com a porcaria dos anti-depressivos só pensava "Só quero deixar esta porcaria, se deixar de ter isto juro que vou aproveitar melhor a minha vida, não me vou deixar voltar a isto". Engraçado, muito engraçado, porque cá estou outra vez. Mas desta vez recuso-me. Há quem ande a dizer "Oh, se não consegues deixar de ter isso, toma-os outra vez!" ou "Vai ao psicólogo". Muito bonito de se dizer, obrigada pela confiança que têm em mim. Porque eu consigo sair deste buraco, a sério que consigo. Desta vez não estou em negação, acho que estou mesmo a meio de um episódio depressivo, estou cansada de saber os critérios. Como já lá vão mais de duas semanas, acabo de ganhar mais um rótulo. Great, just great. Ou eu não me chamo Ana Luísa se não me livro dele em dois tempos, sem porcaria nenhuma de medicamentos. Vou focar-me no trabalho, esquecer as pessoas que só me dão cabo dos nervos e deixar andar. Também só faltam uns meses. No fim disto, tenho que reformular os meus planos. Tinha pensado procurar logo um trabalho. Mudnaça de planos. Preciso de um mês de férias, num sítio qualquer, para voltar a conseguir levantar a cabeça. Depois sim, chega o momento de dar um rumo à minha vida. E não é isso que me assusta?
Às vezes canso-me de lidar com as pessoas, e hoje foi um desses dias. Ninguém tem culpa (e se houver culpas a distribuir é a mim), mas é verdade. Quando lido com "desconhecidos" ou simplesmente conhecidos, ou com pessoas no trabalho é diferente. São pessoas que não me conhecem fora daquele contexto, são pessoas que não têm expectativas, que não pressionam, que não acham que sabem, que não se se reservam o direito de abusar da confiança... Quanto mais próximos somos de alguém, mais expectativas estão envolvidas, mais... Hoje foi um dos dias em que me foi mais difícil lidar com isso. Às vezes acontece-me, ter "overdoses" de pessoas. Às vezes apetece-me estar irritada. Não tenho também direito a isso? Às vezes irritam-me as responsabilidades, às vezes só gostava de não estar aqui, de estar nalgum sítio sozinha e fazer o que quer que me apetecesse... O problema é que se, nestes dias, alguém me perguntasse o que é que queria, também não sei. Só sei que não era isto... e ...
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