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Mais uma para o caixote do lixo depressivo

Às vezes esqueço-me de quem sou. Às vezes não sei o que ando a fazer, não sei o que quero ou não quero... às vezes não consigo fingir que estou bem. Hoje é dia de Carnaval... irónico, porque de todos os dias em que isto podia ter acontecido foi logo neste dia que a minha máscara escolheu cair. A máscara de "Sim , está tudo bem, estou óptima assim" não aguentou no dia de Carnaval. Até me ria, se não fosse tão triste. O Carnaval nunca me disse nada, continua a não dizer... mas este não esqueço tão cedo. Sabem que mais? Estou cansada, tão cansada de tentar, tão cansada de fingir que estou bem, que não preciso de nada. Porque não está tudo bem, ok? Nem às minhas amigas (que por sinal desapareceram) consigo dizer isto.
Engraçado, porque estava agora a ter uma conversa no msn com uma amiga, que me disse que se sente um burro em cima de uma ponte. Tem que fazer uma escolha, mas não consegue e se continua assim a ponte acaba por cair... e ela cai com a ponte. Mais, estávamos a comentar que às vezes é mais difícil dizer "estou mal" ou falar dos problemas, porque falar das coisas torna-as mais reais... porque dizer "estou mal" é admitir que tenho uma fraqueza, é pôr toda a gente a olhar para mim com pena. E pena, não preciso, já tenho muita por mim mesma... Sim, estou a dar uma "pity party" hoje. Nunca (ou pelo menos nalgum dia próximo) vou dizer isto a ninguém, mas posso escrever aqui, é a única forma que tenho de deitar fora: "Não, não estou bem, não me perguntem se estou bem porque isso obriga-me a fingir mais, não me falem de coisas triviais, porque ando sem paciência... o melhor é nem falarem comigo por um tempo". Eu já estive naquela ponte, sabem? Já estive, não escolhi (ou será que escolhi? Isso nunca vou saber e nem sei se quero) e já caí. Levantei-me? Sim, levantei, a muito custo. Mas isso não quer dizer que as cicatrizes não estejam aqui, porque estão e eu tenho passado estes anos todos a tentar disfarçá-las, a fazer tudo o que posso para me esquecer delas. E sobretudo a fazer tudo o que posso para não ser aquela pessoa, para não permitir a mais ninguém aproximar-se o suficiente para me magoar mais... Vou a andar na rua e olho para todo o lado menos para as pessoas, apercebi-me disso noutro dia. Adivinhem? Não tenho cicatrizes novas (pelo menos não graves como aquelas), mas as que tinha estão a reabrir... e agora? Escondo-me outra vez? Porque é isso que acho que estou a começar a fazer...

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