São dias assim. Dias em que tudo o resto acalma, tudo o resto silencia o suficiente para eu me ouvir. Para eu ter consciência, assim, de repente, do quanto eu sou feliz. São dias assim. Em que eu estou a limpar a casa, apesar do calor, e apesar do cansaço, e nem me apercebo de que estou cansada. Em que tudo parece estar bem, tudo parece estar no seu devido lugar, equilibrado. Em que eu me sinto equilibrada, estável, segura. Em que as dúvidas e aqueles pensamentos ruminantes que estão constantemente a pesar-me na cabeça se calam. Finalmente. Em que o que quer que aconteça amanhã, fica no amanhã. E o que aconteceu ontem já lá vai.
E é por isso que eu gosto tanto de ouvir o silêncio. Porque sem o silêncio, como é que podemos ouvir aqueles pensamentos, aqueles sentimentos, mais baixinhos, mais levezinhos, os mais importantes de todos? Aqueles que, no meio da confusão, do stress, do cansaço, do caos do dia-a-dia, nos dizem "vai ficar tudo bem". Aquela pontinha de esperança, que subsiste contra tudo o resto. Mas, como não é tão saliente como o medo, como a ansiedade, como as preocupações, esse barulho que nos acompanha todos os dias, não conseguimos ouvi-la. Por isso acho que às vezes é parar, e ouvir o silêncio. E ouvir essa pequena voz, que é a nossa, a dizer-nos que vai ficar tudo bem, que conseguimos, que chegamos lá. E acreditarmos nela. Se vai ficar tudo bem? Isso não sei, quem sabe. Continuo a acreditar que recebemos o que damos, e que as coisas acontecem por uma razão, mesmo que não consigamos percebê-la. E que aquilo de que precisamos, seja o que for, vai surgir, quando menos esperarmos. Como é que eu podia não acreditar nisso, quando tenho tantas bênçãos na minha vida?
São dias assim. Em que, sem me aperceber, penso "sou feliz". Em que, sem me aperceber, consigo ouvir. Em que, sem me aperceber, me apercebo de que a semana está quase a terminar, e depois só faltam 15.
E mais um :)
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