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Das escolhas que fazemos (ou, aquelas coisas pequeninas, que mudam tudo)

Hoje encontrei um rebento novo, pequenino, tão verde, numa planta que comprámos há algum tempo e que estava a morrer. Não sei porque é que ela ficou assim, mas ficou. Mudámo-la de vaso há cerca de 2 semanas, numa última tentativa de ver se ela recuperava. Tenho tratado de regá-la todos os dias, mas começava a perder a esperança, não via mudança nenhuma. Hoje estava a regá-la novamente, e vi, lá em baixo, pequenino. Novo. Não consigo evitar pensar no quanto isto se assemelha a tanta coisa... Não sei se ela vai recuperar completamente, mas parece-me que está a tentar, parece-me que há esperança. E é engraçado, porque eu hoje também me sinto assim, renovada, de certa forma. Tenho andado cansada, desmotivada, frustrada. Mas nos últimos dias, gradualmente menos. Isso já conta para alguma coisa, não é? 

Podemos escolher ficar magoados. Podemos escolher ficar a remoer nas coisas, a pensar e repensar (sim, tipo eu). Podemos escolher desistir. Mas é isso. É uma escolha. Nossa, e de mais ninguém. A culpa, a responsabilidade não é de mais ninguém, só nossa. Somos a forma como reagimos ao que nos acontece, não somos o que nos acontece. Somos a forma como interpretamos e respondemos aos outros, não somos os outros. O que fazemos, o que dizemos, é isso que somos. E isso é responsabilidade nossa. 

Podemos escolher ficar magoados. Podemos escolher ficar a remoer nas coisas, a pensar e repensar. Podemos escolher desistir. Mas também podemos escolher acalmar. Podemos escolher aproximar-nos. Podemos escolher perdoar, ultrapassar. Podemos escolher esperar. Podemos escolher dar. Podemos escolher tolerar. Pode ser difícil, mas podemos escolher. E cada vez mais acho que o valor (e os valores) está nessa escolha. Que fazemos todos os dias. E cada vez mais acho que o que Damos ao Mundo é o que Recebemos. Por isso, se calhar vale a pena renovar. Se calhar vale a pena tentar mais uma vez. Se calhar vale a pena aceitar um pedido de desculpa. Se calhar vale a pena sair da zona de conforto. Se calhar vale a pena esforçar mais um sorriso. Porque pode chegar um dia em que, sem darmos por isso, nos apercebemos de que hoje, pelo menos hoje, ele é verdadeiro. Hoje ele é sentido. E se calhar ela está lá, aquela folhinha nova, pequenina, verde, aquele rebento novo de esperança que tínhamos começado a pôr de lado. Aquele bocadinho pequeno de vida que nos faltava. Aquele rebento pequenino, de uma planta que já começávamos a acreditar que não tinha volta, e que nos ajuda a acreditar, hoje (pelo menos hoje), que vai ficar tudo bem. Pequenino. É o que eu sempre digo. Às vezes são essas coisas mais pequenas as que têm mais valor. São essas que contam. São essas que mudam tudo.

Quatro meses. Contagem decrescente.

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