Inspira, expira. Não sei, parece que o tempo não passa. Não é que esteja mal aqui, mas estou mesmo, mesmo a precisar da minha casa. E é verdade, hoje foi a primeira vez em que disse em voz alta que não estou bem. Nem sei o que pensar, acho que de certa forma torna as coisas mais reais. A verdade, sabes, é que sinto muito a falta da minha casa. E a verdade é que eu não me sinto mal. Sinto é um vazio enorme. Será que isso é melhor? Não é sempre, mas às vezes, de repente, lá está ele, o vazio. Não sei o que faça com ele. E eu percebo que tu achas que a melhor forma de me ajudares é seres assim, como tu és, divertido. E eu adoro isso em ti – uma das coisas que adoro. Mas eu agora precisava de compreensão, sabes? É que quando começo a pensar nisto, neste vazio enorme, sinto-me totalmente perdida aqui. Por muito que isto te possa custar a ti, tu estás em casa, tens as tuas amigas, tens a tua família, o teu trabalho. Como tu disseste, durante a semana nem pensas muito nisto. Mas eu estou praticamente sozinha, e é sempre fim-de-semana. Tenho a minha prima, e sei que tenho muita sorte por isso. Mas às vezes é o mesmo que estar sozinha. E em dias assim, cinzentos, escuros, em que o trabalho não avança, o vazio aparece outra vez. E não há nada que eu possa fazer, não há série, livro que ajude. O chocolate não vai resolver nada. Não há nada que eu possa fazer, a não ser concentrar-me em respirar. Inspira, expira. E é isto que tenho andado a fazer nestes dois meses. A tentar respirar. Não quero ser injusta com ninguém, e valorizo imenso (e não vou esquecer nunca) o que tens feito. Mas às vezes ouvir-te e ver-te a agir como se nada fosse não ajuda, piora. Porque me apercebo de que o tempo está a passar, está, só não para mim. Porque eu passo a vida a olhar para o relógio, e parece que está sempre na mesma posição. Porque eu precisava de um abraço, e não tenho. É, não posso pensar muito neste vazio. Tenho que me concentrar em respirar. Inspira, expira. E é isto que tenho andado a fazer nestes dois meses. Inspira, expira.
Inspira, expira. Não sei, parece que o tempo não passa. Não é que esteja mal aqui, mas estou mesmo, mesmo a precisar da minha casa. E é verdade, hoje foi a primeira vez em que disse em voz alta que não estou bem. Nem sei o que pensar, acho que de certa forma torna as coisas mais reais. A verdade, sabes, é que sinto muito a falta da minha casa. E a verdade é que eu não me sinto mal. Sinto é um vazio enorme. Será que isso é melhor? Não é sempre, mas às vezes, de repente, lá está ele, o vazio. Não sei o que faça com ele. E eu percebo que tu achas que a melhor forma de me ajudares é seres assim, como tu és, divertido. E eu adoro isso em ti – uma das coisas que adoro. Mas eu agora precisava de compreensão, sabes? É que quando começo a pensar nisto, neste vazio enorme, sinto-me totalmente perdida aqui. Por muito que isto te possa custar a ti, tu estás em casa, tens as tuas amigas, tens a tua família, o teu trabalho. Como tu disseste, durante a semana nem pensas muito nisto. Mas eu estou praticamente sozinha, e é sempre fim-de-semana. Tenho a minha prima, e sei que tenho muita sorte por isso. Mas às vezes é o mesmo que estar sozinha. E em dias assim, cinzentos, escuros, em que o trabalho não avança, o vazio aparece outra vez. E não há nada que eu possa fazer, não há série, livro que ajude. O chocolate não vai resolver nada. Não há nada que eu possa fazer, a não ser concentrar-me em respirar. Inspira, expira. E é isto que tenho andado a fazer nestes dois meses. A tentar respirar. Não quero ser injusta com ninguém, e valorizo imenso (e não vou esquecer nunca) o que tens feito. Mas às vezes ouvir-te e ver-te a agir como se nada fosse não ajuda, piora. Porque me apercebo de que o tempo está a passar, está, só não para mim. Porque eu passo a vida a olhar para o relógio, e parece que está sempre na mesma posição. Porque eu precisava de um abraço, e não tenho. É, não posso pensar muito neste vazio. Tenho que me concentrar em respirar. Inspira, expira. E é isto que tenho andado a fazer nestes dois meses. Inspira, expira.
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