Parece que as
coisas começam a acalmar. Agora sim, acho que começo a ver essa “luz ao fundo
do túnel”. Finalmente, finalmente estou quase a ir para casa. Parece
impossível. Ainda me lembro de estar a chegar, do vazio que senti quando fiquei
sozinha, do desespero, das saudades. Que ainda tenho, mas agora consigo
reconhecer que “está quase”. Apesar de em termos profissionais a estadia aqui
não ter adiantado nem beneficiado em nada, acho que em termos pessoais consegui
cumprir o meu principal objectivo. Acho que estas coisas não se notam logo, mas
acontecem. Acho que daqui a um mês (ou antes, quem sabe) vou parar e perceber
que mudei, que cresci realmente. Tive que aprender a estar sozinha, sobretudo
agora, quando estava a aprender a não estar sozinha. Isso tornou tudo mais
difícil. E obrigou-me a ser mais forte. Tive que sair da minha zona de
conforto, que ser mais flexível, a vários níveis, e a ideia era essa. E percebi
que o tempo passa, mesmo quando estamos desesperadamente a olhar para o
relógio, para o calendário. Mesmo quando parece que não saímos do sítio. Mesmo
quando nos sentimos completamente sozinhos e sem direcção. O tempo passa. E,
queiramos ou não, percebamos ou não, nós crescemos. Quando olhamos para trás,
quando nos afastamos o suficiente de nós para vermos realmente o que se passa,
é que percebemos que não ficámos parados, que funcionámos, que fizemos o que
tinha que ser feito, apesar de por vezes doer tanto que nem conseguimos
respirar. E isso… isso é crescer.
Às vezes canso-me de lidar com as pessoas, e hoje foi um desses dias. Ninguém tem culpa (e se houver culpas a distribuir é a mim), mas é verdade. Quando lido com "desconhecidos" ou simplesmente conhecidos, ou com pessoas no trabalho é diferente. São pessoas que não me conhecem fora daquele contexto, são pessoas que não têm expectativas, que não pressionam, que não acham que sabem, que não se se reservam o direito de abusar da confiança... Quanto mais próximos somos de alguém, mais expectativas estão envolvidas, mais... Hoje foi um dos dias em que me foi mais difícil lidar com isso. Às vezes acontece-me, ter "overdoses" de pessoas. Às vezes apetece-me estar irritada. Não tenho também direito a isso? Às vezes irritam-me as responsabilidades, às vezes só gostava de não estar aqui, de estar nalgum sítio sozinha e fazer o que quer que me apetecesse... O problema é que se, nestes dias, alguém me perguntasse o que é que queria, também não sei. Só sei que não era isto... e ...
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