Avançar para o conteúdo principal

Menos de 15 dias



Faltam menos de 15 dias agora. É engraçado vir aqui e aperceber-me de que, embora pareça que o tempo não passa, passa mesmo. A última vez em que escrevi era dia 2. Hoje já é dia 16. Não sei como é que o tempo passa, mas parece que passa mesmo. E mais uma vez estou a ficar sobrecarregada. Com as saudades. Com a tristeza. Com a vontade de não fazer nada. Stressada? Não, não estou. Estou triste. Tenho dias assim, e ultimamente têm sido alguns. Eu sei que isto me faz bem, não foi por isso que vim? Para ser obrigada a sair da minha zona de conforto, para ser obrigada a reagir, apesar de tudo. E tenho reagido, que remédio tenho eu. Tu dizes que não gostas de me ver assim (acredito), mas ainda não viste nada. Não fazes ideia do desespero que às vezes sinto. Não fazes ideia (embora até ache que andas lá perto) do quanto eu precisava do meu quarto hoje. Do quanto eu preciso do meu espaço, do que me é familiar. Do quão cansada eu fico de tentar. Porque tu dizes que não queres ouvir-me dizer que estou a tentar. Mas custar custa, custa muito mais do que realmente conseguir. E o valor está na tentativa, sabes? Mas estou cansada, de tentar arranjar alguma coisa para fazer. De fingir que está tudo bem, que as coisas não me magoam. De me levantar, vestir-me e andar para aqui a arrastar-me. Porque em dias como o de hoje, é isso que estou a fazer, não duvides. Não tens culpa, eu sei. Infelizmente eu sou assim, e não te deixo ver nem metade do que sinto. Porque se deixasse, se tentasse explicar-te o quão perdida me sinto a maior parte destes dias, aí sim acho que ficavas preocupado. E eu não gosto de te ver assim. Estou cansada. De tentar engolir as mágoas quando o que mais preciso é de chorar. De me preocupar com isto tudo, de não conseguir desligar, porque, acredita, não consigo. De fingir que está tudo bem, quando não está, quando só me apetece gritar NÃO ESTÁ. De sentir este peso no meu coração, estou tão cansada deste peso! E só queria mesmo ter a minha casa agora, os meus pais, só queria que alguém realmente compreendesse. Tu tentas, eu sei (e adoro-te por isso, não fazes ideia do quanto), mas tu estás em casa. E eu estou aqui, sozinha. E mesmo quando estou rodeada por pessoas, estou sozinha. Estou sozinha, e não estou bem. Mas não posso dar-me ao luxo de dizer isso a ninguém. Quem está perto não quer ou não pode entender. Quem tenta entender, está longe. E eu sei o que tenho que fazer. Tenho que respirar fundo e continuar a fingir que está tudo bem, mais duas semanas. Continuar a ocupar o tempo, para passar depressa (quão triste é isso?). Continuar a responder “está tudo bem” quando não está. Continuar a sorrir quando me apetece dizer “não gosto disto”. Continuar a fingir que vim para aqui fazer alguma coisa. Como disse, estou a ficar sobrecarregada. Com as saudades. E com a tristeza. E com as saudades.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Desabafo

Às vezes canso-me de lidar com as pessoas, e hoje foi um desses dias. Ninguém tem culpa (e se houver culpas a distribuir é a mim), mas é verdade. Quando lido com "desconhecidos" ou simplesmente conhecidos, ou com pessoas no trabalho é diferente. São pessoas que não me conhecem fora daquele contexto, são pessoas que não têm expectativas, que não pressionam, que não acham que sabem, que não se se reservam o direito de abusar da confiança... Quanto mais próximos somos de alguém, mais expectativas estão envolvidas, mais... Hoje foi um dos dias em que me foi mais difícil lidar com isso. Às vezes acontece-me, ter "overdoses" de pessoas. Às vezes apetece-me estar irritada. Não tenho também direito a isso? Às vezes irritam-me as responsabilidades, às vezes só gostava de não estar aqui, de estar nalgum sítio sozinha e fazer o que quer que me apetecesse... O problema é que se, nestes dias, alguém me perguntasse o que é que queria, também não sei. Só sei que não era isto... e ...
"Alma. A palavra ressoou dentro de mim e interroguei-me, como tantas vezes antes, sobre o que seria exactamente. As pessoas falavam constantemente dela mas alguém saberia realmente? Houve momentos em que a imaginei como uma luz-piloto a arder dentro de uma pessoa - uma gota de fogo do inferno invisível a que as pessoas chamavam Deus. Ou uma substância mole, como um torrão de argila ou massa para moldes dentários, que reunia a soma das experiências das pessoas - um milhão de marcas de felicidade, desespero, medo, todas as pequenas perfurações de beleza que jamais conhecemos." - Sue Monk Kidd

Palavras III

"The world was a terrible place, cruel, pitiless, dark as a bad dream. Not a good place to live. Only in books could you find pity, comfort, happiness - and love. Books loved anyone who opened them, they gave you security and friendship and didn't ask anything in return; they never went away, never, not even when you treated them badly." "there was another reason [she] took her books whenever they went away. they were her home when she was somewhere strange. they were familiar voices, friends that never quarreled with her, clever, powerful friends -- daring and knowledgeable, tried and tested adventurers who had traveled far and wide. her books cheered her up when she was sad and kept her from being bored" Um livro que li num instante e que me recordou uma série de coisas, sobretudo a razão de eu gostar tanto de livros, porque é que leio tanto. Já algumas pessoas me perguntou isto, mais ou menos seriamente. A partir deste momento, vou começar a dizer a essas ...