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Eu



Só faltam 30 dias, quase 29. Foi a primeira coisa que pensei quando acordei. Está quase. O tempo passa mesmo, mesmo quando parece que não. Ainda falta um mês, mas já consigo (quando consigo descentrar-me de tudo) olhar para tudo isto e pensar “E não é que consegui mesmo?” Custou, mas não tive tantas quebras como pensei que teria. E acho que estou a conseguir cumprir os meus objectivos: avançar com o trabalho, treinar o inglês e, mais importante que tudo isso, crescer. E estar sozinha, acho que também me faz bem. Afastar-me e pensar. Nos últimos meses aconteceu tudo tão depressa, deixei de estar sozinha tão depressa, que por um lado foi bom este afastamento para organizar as ideias. Para me focar em mim, no meu trabalho, naquilo que tenho que fazer. Para arranjar espaço na minha cabeça, sem ter que estar sempre a ser pressionada pelas exigências impossíveis de terceiros. Para me lembrar de porque é que estou aqui, do quanto gosto disto. Custa, há dias que me custam imenso. Mas depois há dias assim, em que percebo porque é que vim para aqui. E tenho que pensar que está quase. Já faltou muito, muito mais. E sinto-me em paz, acho que isso é o mais importante. Sinto-me eu.

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Desabafo

Às vezes canso-me de lidar com as pessoas, e hoje foi um desses dias. Ninguém tem culpa (e se houver culpas a distribuir é a mim), mas é verdade. Quando lido com "desconhecidos" ou simplesmente conhecidos, ou com pessoas no trabalho é diferente. São pessoas que não me conhecem fora daquele contexto, são pessoas que não têm expectativas, que não pressionam, que não acham que sabem, que não se se reservam o direito de abusar da confiança... Quanto mais próximos somos de alguém, mais expectativas estão envolvidas, mais... Hoje foi um dos dias em que me foi mais difícil lidar com isso. Às vezes acontece-me, ter "overdoses" de pessoas. Às vezes apetece-me estar irritada. Não tenho também direito a isso? Às vezes irritam-me as responsabilidades, às vezes só gostava de não estar aqui, de estar nalgum sítio sozinha e fazer o que quer que me apetecesse... O problema é que se, nestes dias, alguém me perguntasse o que é que queria, também não sei. Só sei que não era isto... e ...
"Alma. A palavra ressoou dentro de mim e interroguei-me, como tantas vezes antes, sobre o que seria exactamente. As pessoas falavam constantemente dela mas alguém saberia realmente? Houve momentos em que a imaginei como uma luz-piloto a arder dentro de uma pessoa - uma gota de fogo do inferno invisível a que as pessoas chamavam Deus. Ou uma substância mole, como um torrão de argila ou massa para moldes dentários, que reunia a soma das experiências das pessoas - um milhão de marcas de felicidade, desespero, medo, todas as pequenas perfurações de beleza que jamais conhecemos." - Sue Monk Kidd

Palavras III

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