Ontem disseram-me que a análise de uma face pode dizer muita coisa. E a minha, entre outras coisas, diz que "tenho alguma tristeza". Há muito tempo que não me caracterizavam como sendo triste. A última vez foi no fotógrafo, quando ia tirar fotografias tipo passe e o fotógrafo me dizia que as fotografias não estavam a ficar bem porque eu tinha os olhos tristes. Por isso, o facto de muitos anos depois alguém me dizer o mesmo... bem, deixou-me a pensar.
Será possível uma pessoa que não me conhece bem ver uma coisa que as pessoas mais próximas não vêem (ou vêem mas deixam passar), de que nem eu mesma me apercebo, na maioria dos dias? Porque no fundo, se for sincera, se estiver disposta a admiti-lo, e por mais feliz que me sinta, acho que sim, sou uma pessoa triste. Por mais animada que esteja, está lá sempre aquela barreira que não me deixa ir muito longe, aquela barreira de fantasmas, de erros cometidos... acima de tudo, de erros por cometer. Não posso deixar de me questionar (uma daquelas questões retóricas com que gostamos tanto de nos torturar) se algum dia algo vai ser o suficiente para deitar abaixo essa barreira, e todas as que construí a partir daí. Se algum dia eu vou permitir que isso aconteça. Se algum dia vou deixar de ter dias destes, em que, por muito realizada profissionalmente me sinta, me sinto tão, tão sozinha. Não me entendam mal, não estou naqueles dias do "fundo do poço". Mas às vezes canso-me de chegar ao fim do dia e pensar "e agora?". Canso-me de chegar ao fim do dia e não poder falar com ninguém. Não é culpa de ninguém, é a vida. Pura e simplesmente a vida.
Mas tudo isto vai dar a um simples pensamento que anda aqui às voltas na minha cabeça. Passaram seis anos (!!) e apesar de todas as voltas que a minha vida tem dado, que eu tenho dado, por muito que me tenha afastado de quem fui naquela altura, a tristeza continua a estar aqui, visível. E o mais triste é que quando me disse aquilo eu não fiquei (como agora não estou) preocupada, zangada, ou triste. Só pensei "Claro que sim. Estavam à espera do quê?". Isso sim, é mais triste. Aceitar.
Sim, libertei espaço no coração, já não estás lá, já não dói tanto. Mas o que é que faço agora com o que lá ficou, no teu lugar?
Será possível uma pessoa que não me conhece bem ver uma coisa que as pessoas mais próximas não vêem (ou vêem mas deixam passar), de que nem eu mesma me apercebo, na maioria dos dias? Porque no fundo, se for sincera, se estiver disposta a admiti-lo, e por mais feliz que me sinta, acho que sim, sou uma pessoa triste. Por mais animada que esteja, está lá sempre aquela barreira que não me deixa ir muito longe, aquela barreira de fantasmas, de erros cometidos... acima de tudo, de erros por cometer. Não posso deixar de me questionar (uma daquelas questões retóricas com que gostamos tanto de nos torturar) se algum dia algo vai ser o suficiente para deitar abaixo essa barreira, e todas as que construí a partir daí. Se algum dia eu vou permitir que isso aconteça. Se algum dia vou deixar de ter dias destes, em que, por muito realizada profissionalmente me sinta, me sinto tão, tão sozinha. Não me entendam mal, não estou naqueles dias do "fundo do poço". Mas às vezes canso-me de chegar ao fim do dia e pensar "e agora?". Canso-me de chegar ao fim do dia e não poder falar com ninguém. Não é culpa de ninguém, é a vida. Pura e simplesmente a vida.
Mas tudo isto vai dar a um simples pensamento que anda aqui às voltas na minha cabeça. Passaram seis anos (!!) e apesar de todas as voltas que a minha vida tem dado, que eu tenho dado, por muito que me tenha afastado de quem fui naquela altura, a tristeza continua a estar aqui, visível. E o mais triste é que quando me disse aquilo eu não fiquei (como agora não estou) preocupada, zangada, ou triste. Só pensei "Claro que sim. Estavam à espera do quê?". Isso sim, é mais triste. Aceitar.
Sim, libertei espaço no coração, já não estás lá, já não dói tanto. Mas o que é que faço agora com o que lá ficou, no teu lugar?
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