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Não adianta queixar-me...

Hoje li o blog de uma amiga, daquelas poucas amigas que ficaram, de uma outra vida, que era a minha. Da última vez que a vi, que por sinal foi há pouco tempo, disse-lhe que ela parecia cheia de luz. E foi a pura verdade, admiro-a por isso. É daquelas raras pessoas que transmite paz, só de olhar para ela. E pensar como ela era no Secundário. E pensar como nós éramos. Bem, de facto as pessoas mudam, crescem, pelo menos algumas.

Gostava de ter encontrado essa paz, essa fé. Porque ela tem razão, as pessoas não nos afectam, nós é que nos deixamos afectar. Quando alguém diz alguma coisa que nos perturba, das duas uma: ou temos uma auto-estima tão baixa que acreditamos, ou no fundo até concordamos um bocadinho com o que foi dito. O que é que isso diz de mim? Se calhar prefiro não saber.

Mas ela tem razão, e vem de encontro ao que eu já ando a pensar há tanto tempo. O fundamental é sentir-mo-nos bem connosco mesmos. E para que algo de bom aconteça, é preciso espaço na nossa vida. Às vezes esse espaço está preenchido com fantasmas do passado, com sentimentos negativos, com ressentimentos, medos, vergonha, etc etc. Nem damos conta, tão habituados que estamos a isso. Tão habituada que estou a isso. E mesmo sabendo que estão lá, não é fácil de esvaziar esse espaço. Por isso não sei, não sei quando vou estar preparada (ou se vou estar) para que aconteça alguma coisa. Não enquanto não me conseguir perdoar. Não enquanto continuar a viver com medo. E não adianta queixar-me, quando tenho responsabilidade nisso, adianta?

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