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Breathe...

Voltei a ver-te. A ver-nos. Desta vez surgiu de repente, de forma completamente inesperada. Doeu tanto ou mais do que das outras vezes. Estava a ver uma série, uma das minhas formas preferidas de engolir o silêncio, de esquecer a solidão... e vi uma cena que me recordou uma das melhores e piores noites da minha vida. Nesse dia, eu podia ter sido uma personagem de uma série. Acho que tu também podias. Nesse dia tudo parecia perfeito... até deixar de ser.

Até quando é que vou ser perseguida por estas memórias? É que uma traz logo muitas outras atrás. Não me recordo de tudo como aqui há uns anos recordava. Quando lembrava exactamente o que tinhas vestido, o que tinhas dito, o que eu tinha respondido... Mas lembro-me do suficiente. O suficiente para me magoar a sério, para não conseguir respirar.

Tenho andado a tentar passar os dias o mais ocupada possível, tenho tentado esquecer. Nos bons dias, consigo não pensar em nada. Nos dias normais, não dá. Há sempre algum espacinho vago na minha mente... Um pequeno, infinito espaço, que me deixa recordar.

E agora, faço o quê? Tenho aprendido muito durante estes cinco anos, mas ainda não sei como apagar estas imagens, quando elas aparecem. Ainda não sei como não me sentir sufocada quando me encontras.

E sabes o que é mais engraçado? É que já quase não me lembro da tua cara sequer... mas ainda consigo sentir a tua mão na minha, como naquele dia há muito, muito tempo atrás... há muitos "eus" atrás.

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