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(Des)Espero...

O meu problema são as expectativas, é oficial. Espero perfeição em mim, nos outros... claro que não encontro nada que se pareça.
Sinto-me sozinha, muitas vezes. Não é sozinha em casa nem nada disso, até passei muito bem a semana assim, tive tempo para pensar na minha vida e o melhor de tudo é que não cheguei a final do dia a sentir-me um farrapo humano por ter descarregado a minha amargura na pessoa mais próxima, que acaba por ser a minha irmã. Ao menos durante esta semana pude ficar triste à vontade. Já basta sentir-me mal por mim mesma, se juntarmos a isso o sentir-me mal por responder torto ou simplesmente não responder às pessoas... bem, começo a detestar-me mesmo.
É que às vezes apetece-me gritar, sabem? Apetece-me não falar com ninguém... e quando estou aqui sozinha não tenho que me esforçar por manter aparências, não tenho que responder bem a ninguém. Deprimente? Pois, eu sei.
O que me chateia mais é que eu sei que tenho que ser eu a mudar um bocado, tenho que parar de esperar que as pessoas pensem em mim ou façam por mim o que eu faria ou faço por elas. Tenho que parar de esperar que as pessoas pensem como eu penso, ponto. Sim, porque o mundo não vai tornar-me menos egoísta só porque é isso que eu leio nos livros. O tempo não vai andar para trás só porque eu gostava. As pessoas não vão mudar por eu achar que não são justas. E os príncipes encantados e as princesas não vão começar a existir por mais filmes que eu veja. Então o que é que eu ando a fazer? Ando a tentar alhear-me o mais possível da realidade, claro.
Estou magoada com a Patrícia. Finalmente consegui escrever isto, há dias que tenho cá dentro e não conseguia deitar para fora de maneira nenhuma. No fundo ela não tem culpa, eu sei que é a maneira de ela ser, leva tudo na boa e, tal como eu acho que as pessoas deviam importar-se comigo, ela acha que as pessoas levam tudo na desportiva como ela. Azar o nosso. Não sei o que estou à espera, mas sei que das últimas vezes que a vi não me senti bem, tive que fingir, coisa que não suporto. Não queria ter que lhe dizer nada, porque ia manchar as coisas, mas desta vez não está a passar, desta vez custa mais a engolir...
Sinto-me sozinha, ponto. Porque desde que te perdi não consegui voltar a substituir-te. Porque sinto que alguma coisa quebrou de vez dentro de mim. Porque embora tenha reconstruido o meu mundo, acho que há peças que nunca vou encontrar novamente. Porque quando preciso mais de falar com alguém, só encontro ninguém. Porque queria conseguir esquecer de vez a tua voz e não consigo. Porque estou a começar a sorrir cada vez menos, pelo menos com vontade. Porque há imenso tempo que não me rio. Porque estou a começar a deixar mesmo de acreditar. Porque neste momento, olho para o lado, olho para a frente, e não vejo nada. Porque tenho medo... tenho muito medo de não estar a viver... e porque sei que não estou.

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