Avançar para o conteúdo principal

Um balanço do ano

Penúltimo dia do ano. O tempo passa a voar, quer queiramos quer não. Tristes ou felizes, magoados ou inteiros, gratos ou ingratos, confiantes ou não, os dias seguem, não esperam por nós. Temos duas opções: aproveitar cada segundo ao máximo ou arrastarmo-nos e contar os minutos para acabar. Acreditem que esta segunda opção não é nada saudável.


Então, balanço do ano, as minhas conquistas:


O ponto alto foi definitivamente o estágio, o facto de adorar o que faço, de os meus medos se terem revelado desnecessários. Escolhi psicologia por várias razões: porque acho mesmo fascinante a complexidade do ser humano, a forma como funcionamos ou não; porque precisava de me compreender melhor a mim mesma e a algumas pessoas que passaram na minha vida (talvez esta tenha sido a principal razão, inicialmente); mas, acima de tudo, porque nada me faz sentir melhor do que poder ajudar alguém a levantar-se, a perceber que é forte, que consegue continuar, mesmo quando acha que a vida não tem mais nada para lhe dar. Acreditem, não há melhor sensação no mundo do que poder ser últil aos outros. Durante muito tempo não fui capaz de me ajudar a mim mesma, mas tenho vindo a melhorar nesse campo, tenho vindo a saber dar valor a tudo o que tenho e a mim mesma. Quero poder ajudar outros a fazer o mesmo.


Há pouco tempo tive uma consulta com uma menina novinha que já desistiu da vida. Tem ainda tantos anos pela frente, tanto para fazer...mas vi nos olhos dela que está resignada, que pura e simplesmente desistiu, que não tem qualquer esperança. Fez-me mesmo muita impressão, ainda por cima porque me identifiquei com ela, porque na idade dela, se eu tivesse deixado arrastar as coisas como estavam, podia ter também chegado a esse ponto. Quis poder dier-lhe que percebia, que sabia o que era sentir-se sozinha e achar que já não aguentava, que ninguém se importava. Queria poder dizer-lhe que a vida tem imensas possibilidades, que tem que encontrar alguma coisa para fazer regressar o brilho aos olhos, que naquela idade tudo parece o fim do mundo, mas que vai perceber que não é bem assim, que ela pode ser tudo o que quiser ser e ainda mais. Não pude dizer nada disto, como psicólogos temos que saber controlar-nos acima de tudo, temos que passar por cima dos sentimentos pessoais. Mas vou dar tudo por tudo para a ajudar a dar a volta por cima. Quando sentirem que estão quase a chegar ao ponto de desistir, um conselho: vão até lá fora, sintam a chuva, ou o sol, olhem para coisas, mas olhem mesmo. Apreciem o mundo, observem as pessoas. Foi-nos dado tanto! Com tanta correria esquecemo-nos de apreciar, mas temos tanto! Respirem, contem até 10, sorriam para as pessoas que passam, olhem bem para tudo o que têm na vida... e depois sigam em frente. Não desistam.


Portanto, neste ano estive bem lá em baixo, tive dias em que não me apetecia levantar, dias em que já não sabia para onde olhar, onde me apoiar... Mas levantei-me. Essa é a minha grande conquista de 2009: penso que aprendi a apreciar mais as pequenas coisas, a valorizar as pessoas que tenho na minha vida, aprendi o valor do sorriso, ganhei esperança e, acima de tudo, um desejo enorme de ser melhor, de lutar pela minha vida e para fazer alguma coisa de significaiva com ela.

Também conheci pessoas novas, acho que fiz novas amizades (um muito obrigada desde já a todas elas, bem como às que já faziam ou fizeram parte da minha vida, por ajudarem a enriquecer a minha existência, por fazerem a diferença); ultrapassei o meu maior medo de muitos anos e fiz a tão ameçadora TAC para tirar as dúvidas (graças a Deus, parece que não tenho nada); li mais de 100 livros, aos quais vou estar sempre grata por me terem salvado quando mais precisei, por me ajudarem a ter sempre uma saída quando preciso.

Sou eu mesma, com muito orgulho, coisa que não me permiti ser durante muito tempo. Agora acredito, acredito mesmo.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Desabafo

Às vezes canso-me de lidar com as pessoas, e hoje foi um desses dias. Ninguém tem culpa (e se houver culpas a distribuir é a mim), mas é verdade. Quando lido com "desconhecidos" ou simplesmente conhecidos, ou com pessoas no trabalho é diferente. São pessoas que não me conhecem fora daquele contexto, são pessoas que não têm expectativas, que não pressionam, que não acham que sabem, que não se se reservam o direito de abusar da confiança... Quanto mais próximos somos de alguém, mais expectativas estão envolvidas, mais... Hoje foi um dos dias em que me foi mais difícil lidar com isso. Às vezes acontece-me, ter "overdoses" de pessoas. Às vezes apetece-me estar irritada. Não tenho também direito a isso? Às vezes irritam-me as responsabilidades, às vezes só gostava de não estar aqui, de estar nalgum sítio sozinha e fazer o que quer que me apetecesse... O problema é que se, nestes dias, alguém me perguntasse o que é que queria, também não sei. Só sei que não era isto... e ...
"Alma. A palavra ressoou dentro de mim e interroguei-me, como tantas vezes antes, sobre o que seria exactamente. As pessoas falavam constantemente dela mas alguém saberia realmente? Houve momentos em que a imaginei como uma luz-piloto a arder dentro de uma pessoa - uma gota de fogo do inferno invisível a que as pessoas chamavam Deus. Ou uma substância mole, como um torrão de argila ou massa para moldes dentários, que reunia a soma das experiências das pessoas - um milhão de marcas de felicidade, desespero, medo, todas as pequenas perfurações de beleza que jamais conhecemos." - Sue Monk Kidd

Palavras III

"The world was a terrible place, cruel, pitiless, dark as a bad dream. Not a good place to live. Only in books could you find pity, comfort, happiness - and love. Books loved anyone who opened them, they gave you security and friendship and didn't ask anything in return; they never went away, never, not even when you treated them badly." "there was another reason [she] took her books whenever they went away. they were her home when she was somewhere strange. they were familiar voices, friends that never quarreled with her, clever, powerful friends -- daring and knowledgeable, tried and tested adventurers who had traveled far and wide. her books cheered her up when she was sad and kept her from being bored" Um livro que li num instante e que me recordou uma série de coisas, sobretudo a razão de eu gostar tanto de livros, porque é que leio tanto. Já algumas pessoas me perguntou isto, mais ou menos seriamente. A partir deste momento, vou começar a dizer a essas ...