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"O Senhor dos Aneis"


Este ano foi o ano em que descobri Tolkien, autor da brilhante e muito falada saga "O Senhor dos Aneis". Já tinha visto os filmes, quando saíram, mas nunca tinha pegado nos livros. Os meus avós ofereceram-me os 3 como prenda de aniversário e lembro-me como se fosse hoje que era esse o livro que estava a ler no dia 31 de Dezembro do ano passado: "A Irmandade do Anel". Conheço muita gente que quando ouve falar deles torce logo o nariz: ou viram pedaços e não gostaram, ou viram tudo e não gostam mesmo, ou são os "bichos feios", como diz a minha mãe, que fazem impressão... Enfim, gostos não se discutem. Mas como este espaço é para eu escrever acerca de mim, do que gosto, do que gosto menos... Esta saga (sobretudo "O Regresso do Rei") é daquelas que marcaram a minha vida, depois de ler os livros, por isso tenho que falar nela. Quando vi os filmes da primeira vez, não liguei muito, lembro-me que no último até já estava farta. Depois de ler os livros, já vi os filmes inúmeras vezes e não me canso. Às vezes até ponho os DVD's só para ver pequenas partes.

Para mim, é uma história de sempre e para sempre, uma história de todos os dias, uma história que todos devíamos ter presente em cada dia. É uma história de coragem, de uma amizade comovente, uma história de igualdade. Mais do que uma guerra, mais do que "bichos feios", mais do que um anel, é um relato da união de seres tão diferentes a lutar pelo mesmo objectivo, é um relato de esperança. É por todas estas razões que para mim é das sagas mais bonitas já escritas.

Os Anões, conhecidos pela sua dureza; os Elfos pela sua beleza e tranquilidade; Gandalf, pela sua grandeza; os Hobbits, pela sua simplicidade; o Homem, pela sua fragilidade e coragem, pela facilidade com que é corrompido pelo poder, pela ganância... Não é esse, infelizmente, um retrato fiel dos nossos dias, no geral? Estas criaturas, tão diferentes, formam uma irmandade, uma amizade que coloca o grupo primeiro. Apesar de tudo, de todas as falhas, de todos os defeitos, descobrem que no fundo são todos muito parecidos e dão tudo para alcançarem o seu objectivo, em conjunto. Para mim, não há cena mais comovente do que quando o Sam, um hobbit, carrega Frodo às costas para chegarem ao local de destruição do anel. Há manifestação mais bonita de amizade? Não, acho que não há. E num mundo em que infelizmente tudo o que há de puro está a ser constantemente ingorado, poluído... num mundo em que o egoísto, o materialismo, a ganância, a inveja estão cada vez mais presentes, assistir a estes filmes ou ler estes livros (ou só pensar neles) ajuda-me a acreditar novamente. Porque eu acredito que se cada um fizer a sua parte, se cada um se esforçar nem que seja um bocadinho só, o mundo pode ser um sítio muito melhor, podemos entender-nos todos melhor e ser aquilo que viemos aqui para ser: boas pessoas, o melhor que pudermos ser. E é essa a minha resolução para 2010: fazer a minha parte em cada dia.


"Quando a vontade quer, abre-se um caminho"


"É sempre escuro, mas não é sempre noite - corrigiu Ghân - Quando o Sol nasce, sentimo-lo, mesmo quando está escondido."


"Acontece muitas vezes assim, Sam, quando as coisas estão em perigo: alguém tem de prescindir delas, de as perder, para que outros possam conservá-las."


"Frodo: - I wish the ring had never come to me. I wish none of this had happen.

Gandalf: - So do all that live to see such times, but that is not for them to decide. All you have to decide is what to do with the time that is given to you."

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