Ontem falei contigo outra vez, depois de muito tempo. Uma conversa banal, do tipo "tudo bem? Sim, e contigo?", testemunha dos estranhos em que nos tornámos. Sabes uma coisa, uma coisa que gostava muito de te dizer? Sinto muito a tua falta. Muito mesmo. Ainda hoje, passados quase 5 anos... ainda hoje há dias em que acordo a recordar e dói, ainda dói. Não tenho saudades do que sentia por ti, não tenho saudades da relação confusa e complicada que tinhamos. Tenho saudades da tua amizade. Podia não ser muito saudável às vezes, mas sinto falta. De te telefonar, de passar tardes contigo a falar de tudo e nada, de como conseguias fazer-me rir até dos meus problemas, de quando me soubeste ouvir, mesmo não me entendendo... Tenho tantas saudades... Às vezes basta alguém dizer alguma coisa para eu me lembrar, para eu me sentir como naquela altura, quando estavas comigo. Tenho orgulho em mim por ter ultrapassado o mais dificil, por ter aprendido a viver sem ti e sobretudo por ter aprendido a gostar de mim sem ti por perto. Sei que foi pelo melhor, sei que tinha que ser assim. E sei que tu não eras quem eu queria que fosses, sei que se continuássemos tão ligados eu ia magoar-me mais, sei que até passou demasiado tempo. Mas não penses que me esqueci, porque não esqueci. Gostava tanto de falar contigo agora e sei que podia... Era só marcar o número. Mas não devo e já não é a mesma coisa. Ontem quando me perguntaram se estava bem sozinha... Sim, estou. Mas não estou e o que podia ter sido está sempre aqui. Aprendi a viver com as marcas, mas elas não desaparecem. Queria tanto conseguir esquecer... tanto, tanto. Uma vez disseste-me: "As pessoas podem estar sem falar durante anos, mas a confiança mantém-se". Nessa altura não respondi, mas não é verdade. A confiança, as relações vão sendo diluídas, se não houver esforço... Aquela relação, aquela confiança... desapareceram, quando olhei para ti e não te vi.
Saudades. Tenho saudades nossas.
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