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Não devia, mas é assim

Se calhar tenho andado demasiado focada, demasiado preocupada. Se calhar? Não. De certeza. E é por isso que voltámos ao mesmo. Porque os anos passam e eu não aprendo. Não aprendo que tenho que parar. Ando tão centrada no que tenho que fazer, no que tenho que conseguir, na meta, que me esqueço de mim, que me esqueço que é preciso parar. Respirar. Avaliar. Porque por muito que andemos convencidos que sim, não se pode ter tudo, não se pode alcançar tudo, não se pode ser tudo. E não somos só estudantes. Só trabalhadores. Somos muito mais que isso. Acho que é importante não descurarmos o resto dos nossos papeis. Para nosso bem, e para o dos outros.

Porque, no fim de tudo... A vida é curta. Hoje fui recordada disso. A vida é muito, muito curta. E por muito mórbido que possa parecer estar a pensar nisso, a verdade é que acho que o mal está em esquecermo-nos disso muito facilmente. Ou tentarmos ignorá-lo. Hoje estamos aqui, stressados e preocupados com mil coisas que se calhar não são assim tão importantes. E amanhã... Amanhã não sabemos. Só sei uma coisa. Se hoje fosse o último dia da minha vida, não queria passá-lo a correr de um lado para o outro, a martirizar-me porque não estudei isto ou aquilo, porque ainda tenho mil coisas para fazer... É fácil esquecer que estamos vivos. E é preciso acontecerem grandes tragédias, para percebermos, por horas, o que está errado. Para passado uns dias, voltar tudo ao mesmo. Não devia, mas é assim.

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