Avançar para o conteúdo principal
E lá vai mais uma semana. Uma semana em que me esqueci por vezes de parar para respirar. Uma semana em que cometi alguns dos erros que um dia deitaram tudo a perder. Uma semana em que me apercebi de como as coisas mudaram durante os últimos cinco anos.

Mudei de morada, de número de telemóvel, de e-mail (apercebi-me disto tudo hoje, ao renovar o cartão do ginásio. Ridículo, eu sei, mas uma pessoa não consegue não pensar. Ou serei só eu que não consigo?). E isto as coisas mais concretas.

Mudei a forma de ver as coisas. Ontem encontrei umas coisas que escrevi há uns três anos atrás, que nem me lembrava de ter escrito. Pelo menos uma coisa nunca mudou, que é o facto de eu precisar de escrever, desde pequena que sou assim. Mas adiante. Estive a ler aquilo, dos dias em que consegui ultrapassar a o percalço "Sara-Daniela" e aprendi a ser eu mesma. Dos dias em que me levantava às 6 da manhã para estudar e ter tempo para tudo. Dos dias em que ia correr todos os dias. E o engraçado (ou não) é que ao ler aquilo apercebi-me de que andava mais feliz e era mais eu nessa altura, em que andava cansada e sob pressão com os exames e trabalhos, do que em muitos dias actualmente. Dormia pouco, andava sempre a correr (literal e metaforicamente) e, embora me queixasse de cansaço, também andava feliz.

O mais curioso é que, se não tivesse lido aquilo, provavelmente ia pensar nos meus dias de universitária como sendo aqueles dias em que não dormia nada e andava estoirada. Não me lembrava de que tentei cuidar de uma planta. De que foi nessa altura que decidi que tinha que ir à Irlanda. De que foi nessa altura que tive um dia em que ri tanto que fiquei com soluços até pensar que ia morrer disso. De que me sentia completamente bem na minha pele. E de que me esforçava realmente com a minha família. Isto só para reforçar a ideia de que nós, seres humanos, conseguimos ser mesmo mauzinhos connosco mesmos. Se não nos esforçarmos para ver as coisas positivas, o nosso foco está sempre voltado para o negativo, catástrofes, generalizações. Já vimos com essa definição, por defeito. Ler aquilo recordou-me de mim mesma. Acho que às vezes é isso que precisamos. Por muito que custe, porque sabemos que já passou, é importante recordar.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Desabafo

Às vezes canso-me de lidar com as pessoas, e hoje foi um desses dias. Ninguém tem culpa (e se houver culpas a distribuir é a mim), mas é verdade. Quando lido com "desconhecidos" ou simplesmente conhecidos, ou com pessoas no trabalho é diferente. São pessoas que não me conhecem fora daquele contexto, são pessoas que não têm expectativas, que não pressionam, que não acham que sabem, que não se se reservam o direito de abusar da confiança... Quanto mais próximos somos de alguém, mais expectativas estão envolvidas, mais... Hoje foi um dos dias em que me foi mais difícil lidar com isso. Às vezes acontece-me, ter "overdoses" de pessoas. Às vezes apetece-me estar irritada. Não tenho também direito a isso? Às vezes irritam-me as responsabilidades, às vezes só gostava de não estar aqui, de estar nalgum sítio sozinha e fazer o que quer que me apetecesse... O problema é que se, nestes dias, alguém me perguntasse o que é que queria, também não sei. Só sei que não era isto... e ...
"Alma. A palavra ressoou dentro de mim e interroguei-me, como tantas vezes antes, sobre o que seria exactamente. As pessoas falavam constantemente dela mas alguém saberia realmente? Houve momentos em que a imaginei como uma luz-piloto a arder dentro de uma pessoa - uma gota de fogo do inferno invisível a que as pessoas chamavam Deus. Ou uma substância mole, como um torrão de argila ou massa para moldes dentários, que reunia a soma das experiências das pessoas - um milhão de marcas de felicidade, desespero, medo, todas as pequenas perfurações de beleza que jamais conhecemos." - Sue Monk Kidd

Palavras III

"The world was a terrible place, cruel, pitiless, dark as a bad dream. Not a good place to live. Only in books could you find pity, comfort, happiness - and love. Books loved anyone who opened them, they gave you security and friendship and didn't ask anything in return; they never went away, never, not even when you treated them badly." "there was another reason [she] took her books whenever they went away. they were her home when she was somewhere strange. they were familiar voices, friends that never quarreled with her, clever, powerful friends -- daring and knowledgeable, tried and tested adventurers who had traveled far and wide. her books cheered her up when she was sad and kept her from being bored" Um livro que li num instante e que me recordou uma série de coisas, sobretudo a razão de eu gostar tanto de livros, porque é que leio tanto. Já algumas pessoas me perguntou isto, mais ou menos seriamente. A partir deste momento, vou começar a dizer a essas ...