Ok, sejamos honestas. Ou pelo menos vamos tentar ser. Não sei o que se passa comigo (alguma vez soube?), mas não estou bem. E sinto-me tão mal (pior) por me sentir assim, ainda por cima quando ontem à noite prometi a mim mesma que me ia esforçar mais, ao menos para disfarçar. Porque me custa imenso que me vejas assim, porque eu sei que te custa a ti também. E eu ontem estava bem, mesmo. Não sei como nem porquê, mas hoje estou assim, irritada, triste, cansada. Outra vez. Estou na fase final, mas parece que as coisas não andam para a frente. Qualquer e-mail que receba relacionado com o trabalho, sobretudo se for para marcar uma reunião (que, sejamos honestas novamente, é necessária), deixa-me demasiado ansiosa. e já estou a pensar que devo ter-me esquecido de alguma coisa. E já estou a pensar que tenho que me ter enganado nalguma coisa. E já estou a pensar que amanhã, se não for por uma razão é por outra, aquilo vai correr mal. E já estou a sentir-me uma nulidade outra vez. Como sempre, à espera de que as coisas corram mal. E o mais engraçado (ou não, simplesmente irónico) é que hoje de manhã, quando comecei a minha típica lista mental do que tinha que fazer (ou do vamos-lá-ver-tudo-o-que-pode-correr-mal-esta-semana), logo depois de acordar, consegui parar e pensei "estou a acabar, o que é o pior que pode acontecer? Qualquer coisa que ela diga, já não me pode afectar assim tanto, isto está no fim. O máximo que pode acontecer é eu sentir-me mal na altura, mas depois passa. E não estou sozinha, venho para casa e tudo passa." Consegui relativizar. E tenho andado ocupada, com a apresentação, com os convites do casamento, com as tarefas da casa... Por isso não percebo porque é que estou assim. Porque é que no fim do almoço, só por ter sujado um bocadinho da t-shirt que tenho vestida, quase tive uma crise de choro (que felizmente consegui evitar, ao menos isso, senão é que isto piorava). Porque é que ando assim, sempre no limite. Estou tão, tão, tão cansada. E tão cansada de estar cansada. E apercebo-me de que este discurso é constante, de que estou sempre a sentir-me assim. E não sei o que fazer. Quero ser capaz de olhar para além disto, de me convencer que a minha vida não é isto, de me convencer que consigo voltar a fazer isto sozinha (ainda por cima porque agora não estou sempre sozinha, até são poucas horas). Porque é que não consigo? Não quero precisar tanto de ti aqui, porque tu não podes estar sempre comigo, por muito que ambos quiséssemos. Tenho que conseguir ler uma porcaria de um e-mail e não ficar assim. Tenho que conseguir focar-me no meu trabalho, no que tenho que fazer, e ignorar esta angústia que sinto a crescer dentro de mim. Tenho que mudar. Mas não sei como. Nem sei se neste momento tenho energia para isso...E continuo aqui, perdida, sem saber o que fazer. E isto é tudo um grande déjà vu...
Às vezes canso-me de lidar com as pessoas, e hoje foi um desses dias. Ninguém tem culpa (e se houver culpas a distribuir é a mim), mas é verdade. Quando lido com "desconhecidos" ou simplesmente conhecidos, ou com pessoas no trabalho é diferente. São pessoas que não me conhecem fora daquele contexto, são pessoas que não têm expectativas, que não pressionam, que não acham que sabem, que não se se reservam o direito de abusar da confiança... Quanto mais próximos somos de alguém, mais expectativas estão envolvidas, mais... Hoje foi um dos dias em que me foi mais difícil lidar com isso. Às vezes acontece-me, ter "overdoses" de pessoas. Às vezes apetece-me estar irritada. Não tenho também direito a isso? Às vezes irritam-me as responsabilidades, às vezes só gostava de não estar aqui, de estar nalgum sítio sozinha e fazer o que quer que me apetecesse... O problema é que se, nestes dias, alguém me perguntasse o que é que queria, também não sei. Só sei que não era isto... e ...
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