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Andando para trás?

Hoje tenho estado a revisitar posts antigos (bem antigos!) deste blog. Engraçado (ou não), no meio de tantas memórias de dias bons e menos bons, apercebo-me de um padrão. E chego a uma conclusão: não posso ter muito tempo para pensar. Tempo para pensar e sinónimo de problemas, mais cedo ou mais tarde. 

Tenho-me sentido tão perdida... sinto tanta falta de ter um dia (um dia que seja, só um!) em que me sinta eu mesma... Não sei explicar. Não sei como nem porquê. Só sei que parece que estou a funcionar em "piloto automático". Estou extremamente (demasiadamente!) sensível, qualquer coisa pequenina é motivo para me ir abaixo (ou será que eu já estou em baixo há tanto tempo, que simplesmente não me levantei ainda?). Fico frustrada, e ainda mais quando depois acabo (inevitavelmente) por magoar quem não devia, quem está sempre aqui, com uma paciência infinita. Tento pensar numa forma de me recuperar, de me sentir melhor, de me sentir eu, mas não consigo pensar em nada...Tem sido uma correria, com o doutoramento, mais doutoramento, mais doutoramento, mais doutoramento, com o casamento, e mais isto e aquilo para resolver. Acho que precisava de uns dias de silêncio, de calma, de paz. Não me sinto em paz. Devia sentir-me feliz, devia estar descansada, tenho tudo o que preciso para isso, para me sentir realizada. Então porque é que não sinto? Porque é que são tantos os dias em que chego ao fim e me sinto desligada de tudo, principalmente de mim? Porque é que não sou capaz de me focar nas imensas coisas boas que tenho na minha vida (em ti?) e sentir-me bem? Só sinto um cansaço absurdo, uma desmotivação impossível, uma angústia contínua. E começo a ter medo que isto não passe, que daqui a uns meses já não possa culpar o doutoramento, ou as hormonas, ou qualquer outra desculpa que por agora ainda vou tendo. Quero acreditar que é cansaço só, que é o stress desta tese que não anda para a frente (tanto que não anda, que só mexe para trás!). Quero acreditar. E que depois disto eu vou tirar uns dias mesmo, mesmo para mim, e vou chegar lá outra vez. E vou olhar para mim ao espelho e voltar a reconhecer-me. E deixar de estar tão defensiva. Quero acreditar, por isso é o que vou fazer, por agora. Hoje até nem está a ser muito mau, considerando tudo. Às vezes quase que parece que estou a melhorar. Às vezes.

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