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Quando eu sinto tudo

Às vezes tenho tanto medo... De repente, sem dar por ela, sem avisar... sinto tudo. Aqueles sentimentos de insegurança, de dúvida, de medo, puro e simples. Aparecem outra vez, e instalam-se.

 Falta-me o chão. Falta-me o ar. Faltam-me as palavras. Preciso de chorar, mas não consigo. Preciso de falar, mas não sei como. Preciso de escrever, mas não sei o quê. Não sei como, não sei porquê. Não tenho motivos para me sentir assim, se não contarmos com o stress habitual. Mas isso nem conta. Sinto-me tão sozinha, tão sozinha, que dói. Tenho tanto medo de não conseguir fazer isto. E nem sei o que "isto" quer dizer. Queria conseguir sair deste buraco em que tantas e tantas vezes já vim cair. Queria conseguir mostrar-te, explicar-te de alguma maneira, o que sinto. Queria não magoar ninguém, não te magoar a ti, por estar assim. Às vezes acho que isto nunca vai mudar. Começo a achar que por muito que as circunstâncias mudem, por muitas alegrias que tenhamos na vida, por muitos motivos que existam para sorrir, quando temos tentas feridas por dentro (algumas nem sequer sabemos bem porque apareceram) elas vão aparecer sempre, quando menos esperarmos. Naqueles dias em que estamos mais sensíveis. Naqueles dias em que o sol não aparece. Naqueles dias em que o stress e a frustração são simplesmente demais para aguentar. Naqueles dias em que por muito alta que a música esteja, não conseguimos deixar de ouvir os ecos, as sombras de um passado (e de um presente) que estão sempre connosco.

Às vezes parece só que tudo é demais. Que mais um pequeno grão de areia vai deitar tudo abaixo. Às vezes tenho tanto medo... Tanto medo de não ser suficiente. Ou de que seja. Medo de não aguentar isto. Medo de acordar um dia e arrepender-me. De não saber o que fazer a seguir. Ou de não querer. Medo de não conseguir sair do sítio. Ou de sair. Percebes? Não te culpo se disseres que não (ou culpo?). Pelo menos não quero culpar. Não tens culpa de eu ser assim. E tenho medo que um dia não consigas compreender. E que nesse dia te apercebas de que tudo o que eu te tenho vindo a dizer há tanto tempo já é verdade. Eu sou complicada. E às vezes, mesmo quando tenho tanta coisa boa na minha vida a que me agarrar, eu agarro-me ao que é negativo. Eu sou assim. Às vezes é tudo demais. Às vezes esqueço-me de mim. Às vezes perco-me. Às vezes falho. Tantas vezes. Tantas vezes.

E às vezes tenho medo. De que com o passar dos anos este "lado lunar", como lhe chamas, aumente. Que com o passar dos anos, sem darmos por ela, ocupe muito mais espaço do que já ocupa. E que quando isso acontecer, tu e eu nos apercebamos de que tudo o que eu te tenho vindo a dizer há tanto tempo já é verdade. Eu sou complicada. E às vezes não dá para compreender.

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