Ando cada vez mais perdida. E isso assusta-me. Tento olhar para trás e voltar a encontrar o meu rumo, mas não consigo vê-lo. São cada vez mais as vezes em que não consigo sentir o chão debaixo dos pés. Em que me sinto presa, sufocada. Em que não me consigo ver, nem ouvir. Só ouço barulho, só sinto pressão, só respiro dúvidas, só sinto nada, um nada tão grande que desapareço dentro dele. E custa-me tanto, tanto, tanto, quando não percebes isso... Não percebes o quanto por vezes me custa pôr um pé à frente do outro. Quanto me custa ficar sozinha comigo. Quanto me custa tudo. Não tens culpa, eu sei. Dizes que me foco muito nas coisas negativas, e não és o primeiro a dizer-me isso. E eu sei que faço isso, é de mim. Mas quando me sinto sem forças, completamente esgotada, como me tenho sentido esta semana, não vejo mesmo mais nada. Não sinto mais nada. Só me sinto a afastar-me cada vez mais de quem eu era, de quem eu sou. Só sinto que cada vez mais questiono tudo o que faço, que estou sempre à espera de falhar. E sinto-me tão, tão, tão ingrata. Acho que é esse o sentimento que se sobrepõe a tudo o resto. Sinto-me ingrata, porque tenho tanto na minha vida, tanto, e parece que me sinto cada vez mais insegura, cada vez mais perdida. E isso assusta-me. Tento olhar para trás e voltar a encontrar o meu rumo, mas não consigo vê-lo. E não consigo ver mais nada. E não sei como é que cheguei aqui.
Às vezes canso-me de lidar com as pessoas, e hoje foi um desses dias. Ninguém tem culpa (e se houver culpas a distribuir é a mim), mas é verdade. Quando lido com "desconhecidos" ou simplesmente conhecidos, ou com pessoas no trabalho é diferente. São pessoas que não me conhecem fora daquele contexto, são pessoas que não têm expectativas, que não pressionam, que não acham que sabem, que não se se reservam o direito de abusar da confiança... Quanto mais próximos somos de alguém, mais expectativas estão envolvidas, mais... Hoje foi um dos dias em que me foi mais difícil lidar com isso. Às vezes acontece-me, ter "overdoses" de pessoas. Às vezes apetece-me estar irritada. Não tenho também direito a isso? Às vezes irritam-me as responsabilidades, às vezes só gostava de não estar aqui, de estar nalgum sítio sozinha e fazer o que quer que me apetecesse... O problema é que se, nestes dias, alguém me perguntasse o que é que queria, também não sei. Só sei que não era isto... e ...
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