Gostava de saber o que te dizer. Mais. Gostava de conseguir dizer-te que está tudo bem, que nada disto me afecta, que o meu humor não varia em função das condições metereológicas, que me sinto capaz de enfrentar o que ainda há para enfrentar neste doutoramento. Mas não consigo. Também não posso dizer-te o que realmente sinto, porque tu não ias entender. Fico ao mesmo tempo contente e frustrada por não me entenderes. Contente, porque significa que felizmente essa leveza que te caracteriza nem te permite conceber outra forma de ver o mundo, mais negra, mais pesada. Mas frustrada, porque há dias em que é assim que vejo o mundo. Há dias em que as minhas dúvidas superam as minhas certezas. Em que os meus medos são superiores ao meu frágil sentido de segurança. Em que a minha força é menor que as minhas fragilidades. E em dias como esses não me apetece reagir. Em dias como esses, não consigo sentir nada, nada a não ser medo e preocupação. Em dias como esses, precisava de um abraço, precisava de carinho, precisava de ser levada a sério. Em dias como esses, a tua leveza é demasiado pesada para mim. Em dias como esses, como hoje, precisava que não brincasses, que não me dissesses "Tens que", que me desses segurança, sem me fazer sentir exagerada. Não te peço que compreendas, porque sei que não consegues. Às vezes eu não compreendo. Mas pedia-te que aceitasses esses dias. Eu só preciso de sentir que "vai ficar tudo bem", isso chega-me. Nem preciso que o digas, preciso de sentir. E preciso que tentes perceber que eu sou assim, que o peso do Mundo às vezes é demasiado para mim, e que isso vai continuar a acontecer. Mas "vai ficar tudo bem".
Às vezes canso-me de lidar com as pessoas, e hoje foi um desses dias. Ninguém tem culpa (e se houver culpas a distribuir é a mim), mas é verdade. Quando lido com "desconhecidos" ou simplesmente conhecidos, ou com pessoas no trabalho é diferente. São pessoas que não me conhecem fora daquele contexto, são pessoas que não têm expectativas, que não pressionam, que não acham que sabem, que não se se reservam o direito de abusar da confiança... Quanto mais próximos somos de alguém, mais expectativas estão envolvidas, mais... Hoje foi um dos dias em que me foi mais difícil lidar com isso. Às vezes acontece-me, ter "overdoses" de pessoas. Às vezes apetece-me estar irritada. Não tenho também direito a isso? Às vezes irritam-me as responsabilidades, às vezes só gostava de não estar aqui, de estar nalgum sítio sozinha e fazer o que quer que me apetecesse... O problema é que se, nestes dias, alguém me perguntasse o que é que queria, também não sei. Só sei que não era isto... e ...
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