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"E não me perguntes nada. Que eu não sei dizer"

Acho que quando damos um passo em frente, seja no que for mas sobretudo nos relacionamentos com os outros, é difícil andar novamente para trás. Quando estamos habituados à presença constante de alguém, é muito difícil desabituarmo-nos. Estes dias que passaram tive que fazer isso, instantaneamente. Tive que me desabituar da minha vida, e voltar para trás em alguns sentidos. E depois tive que temporariamente, por uma tarde, voltar lá. Não é fácil. 
 
Crescer não é fácil. Porque implica que as relações mudem, que amadureçam. E esse amadurecimento não é fácil, sobretudo quando as pessoas não estão preparadas para isso.

 Isto é tudo muito complicado. Não queria precisar tanto como preciso. Não queria sentir-me tão perdida como por vezes sinto, tão sem chão. E sinto-me tão mal por me sentir assim. Porque tenho dois "eu" dentro de mim às vezes, a puxar em direcções opostas. Porque tenho pessoas que dão tudo por mim, e esperam mais de mim. Porque na verdade, objectivamente, tenho muito mais do que algum dia pensei vir a ter. E parece que, ainda assim, não estou bem. Devia estar, não era? Às vezes apetece-me dar um estalo na cara a mim mesma, não percebo como é que é possível sentir-me assim, quando tenho tido uma vida abençoada. E eu sei isso, não se pense que não sei. Mas é muito fácil esquecermo-nos de estar gratos, muito, muito fácil. É demasiado fácil focarmo-nos nas coisas que não estão bem, nas pequenas/grandes falhas. É tão fácil ceder ao desespero! Eu só precisava de um bocadinho de paz no coração, a sério. Acabou de passar a Páscoa (foi ontem!), uma festa de Esperança, acima de tudo. E eu sinto-me uma fraude, porque nada mudou dentro de mim. Porque não tenho nenhuma. E porque não sei de onde vem tudo isto. Sinto-me ingrata, egoísta, triste. E mais triste, por me sentir assim. Não sei. Não sei dizer. Mesmo.

Acho que estou a precisar demasiado de ti, e isso não está a ajudar. Isso assusta-me.

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