Hoje de manhã li uma frase qualquer, já nem me recordo de como era exactamente, mas qualquer coisa do género: "Não sou a opinião que os outros têm de mim".
E apercebi-me de que ultimamente, muitas vezes, demasiadas até, tenho sido. E apercebi-me de que é isso que me cansa, mas cansa mesmo. Não é a quantidade de trabalho, trabalho de que eu, antes disto tudo, gostava mesmo. Lembro-me de sair daquela defesa, no ano passado, mesmo contente e pensar "É isto que eu gosto de fazer". Estava tão certa disso... Mas claro, isso foi antes de tudo isto acontecer. E agora apercebo-me cada vez mais de que desde que ouvi algumas coisas (se merecia ou não ouvir, já nem está em causa), gosto cada vez menos da pessoa que tenho sido, e do que estou a fazer. Tenho estado a viver em função da opinião que algumas pessoas têm de mim, em função daquilo que me vão dizendo, em função do estado de humor dessas pessoas! E está errado. Sempre fui insegura, é verdade. Sempre tive dúvidas em relação a quem sou, e ao que faço. Nunca está bem, tem que ser sempre melhor. Um erro, por pequeno que seja, para mim é gigante. Não posso falhar. Não me admito isso. Sou assim, e não é saudável. Eu sei. Mas ultimamente essa insegurança está cada vez pior, ao ponto de achar continuamente que não mereço o lugar que tenho, que não sei mesmo o que ando a fazer. Ao ponto de me apetecer desistir dia-sim-dia-não. Não sou eu (ou não era eu?). Antes disto tudo, conseguia relaxar a ver uma série, tinha tempo para tudo e as coisas não se confundiam. Estava a trabalhar, estava a trabalhar. Não estava, não estava. Mas conseguia separar. Agora, estou a trabalhar e de repente já estou a pensar em inutilidades. Não estou a trabalhar, e já acho que devia estar, e acabo por ir.
Não é saudável, não é quem eu sou. É o que muitos outros pensam de mim. É viver em função do que os outros pensam, acham, esperam. E tenho noção que nenhum deles me conhece. Nenhum. Há quem esteja perto, mas ninguém chega lá. Também sei que ninguém chega lá porque eu não deixo. Porque algures no tempo decidi que tinha que ser individualista. Sim, sou. Mas sou porque decidi que não o ser implica desiludir-me demasiadas vezes. E isso não sei se consigo suportar mais. É por isso que estou sozinha e é por isso que gosto de viver pelo seguro. E é por isso que não falo muito. Como diz o outro, "não falo muito, porque escuto". Sei que as coisas não deviam ser assim, e que estou muito, muito perto de ficar permanentemente neste "estado de não ser". Mas quando nos habituamos a estar sozinhos e a viver pelo seguro... se calhar "desaprendemos" a ser de outra maneira. E se calhar sou individualista.
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