Não sei se gosto ou não quando estás certo. Mas estás. Não estás sempre, mas desta vez tenho que admitir que sim.
Não gosto de dar passos no escuro. Não gosto de perder o controlo. Não gosto de não saber. Não gosto de não conseguir planear.
Acho que é por isso que gosto tanto de investigação. Porque tentamos controlar tudo. E aquilo que não conseguimos controlar, antecipamos. E pensamos, e pensamos... E fazemos planos. E ajustamos planos. É, acho que é por isso que estou aqui. Sei que não posso controlar tudo... ok, não posso controlar quase nada. Mas posso tentar antecipar. Acho que é por isso que sou assim. E acho que é por isso que não sou assim.
É por isso que depois de tantas desilusões, prefiro afastar-me. Não posso controlar, não posso ter a certeza de que não voltam a desiludir-me... Mas posso fazer de tudo para que isso não aconteça. Posso tentar controlar as variáveis parasitas. Não posso evitar que as pessoas me magoem. Mas posso dar-lhes pouco espaço para o fazerem. É saudável? Não, não é. E acho que é esta a forma de o meu organismo me dizer que não posso viver assim. Que não posso não viver. Que não posso evitar todas as poças, só porque uma vez a pisei com toda a força.
É verdade. Gosto de planear. Gosto de saber. Gosto de pensar. Gosto de antecipar. Gosto de controlar. Não gosto de dar passos no escuro. Porque no escuro podem estar todo o tipo de coisas. Porque uma vez continuei a andar. Uma vez, não pensei muito. Uma vez, andei, simplesmente. E sabemos como essa história acabou. Acabou com todas as outras. Quero ser assim? Quero continuar a pensar e a preocupar-me com tudo e mais alguma coisa? Não. Mas não há nada que possa fazer. Não gosto de dar passos no escuro. E esta sou eu.
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