Se ser individualista é gostar do meu espaço, é dar importância a pequenas coisas, é ter as minhas limitações, é ter dúvidas quanto a relacionamentos, é não gostar de determinadas coisas, é esperar que as pessoas me respeitem, como as respeito a elas... Então sim, sou individualista. E se ser individualista é ser egoísta e pouco solidária, então atirem-me pedras, porque sou.
Se não falo muito, é porque estou a ouvir. E estou a ver. Se às vezes fico no meu canto, é porque sair dele é assustador. Se às vezes me apetece desaparecer, como apetece neste momento, é porque não me sinto bem onde estou, e é porque acho que a diferença entre estar aqui ou além não seria muita.
É tão fácil julgar comportamentos, não é? É tão fácil achar que sabemos tudo, que temos a razão toda. É tão fácil não dar o braço a torcer. É mesmo fácil... Mas onde há 99% de certeza, há 1% de incerteza. E ainda que pouco provável, esse 1% pode ser o caso, pode acontecer. Porque nunca conhecemos todas as razões para um comportamento, psicólogos ou não. E mal-entendidos acontecem. Mas nem vale a pena ir por aí.
Ontem disseram-me que não estou preparada para ter problemas com as pessoas. É verdade. Não estou. Não gosto deste tipo de confusões. Assim como não gosto que amigos meus me façam sentir menos, de alguma forma. Assim como acho que ser amigo é aceitar, mesmo quando não se concorda. É ouvir, e tentar entender, mesmo quando se acha que a situação não é grave. Ou que o próprio vive situações mais graves.
O que é que eu acho? Acho que nada disto é fácil. Acho que às vezes as pessoas esquecem-se como ser amigos. Acho que a minha lista acaba de se reduzir mais ainda esta semana. Acho que estou cansada de tentar entender, quando ninguém o faz por mim, quando sou eu a precisar. Acho que estou cansada de me esforçar, quando ninguém o faz por mim. Acho que sou individualista, e ainda mais do que era. E acho que estou longe de ser a única. Julguem-me.
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