Nestes momentos só me dá para pensar naqueles que já passaram, quando as coisas eram tão mais simples. Quando era tudo uma questão de dormir poucas horas, de me levantar às 6 da manhã, ou antes, para pôr o estudo em dia, depois ir para as aulas e ainda ter tempo para tudo o resto. De quando já estava tão habituada a estar sozinha em casa aos fins-de-semana, que até conseguia gostar do silêncio. De quando ir à Fnac comprar um livro era o suficiente para melhorar exponencialmente um dia. De quando era um reforço por fazer um exame difícil. De quando enchia a mesa da sala com as minhas coisas e estudava até não ser preciso mais. De quando o dia começava com uma corrida na rodovia. Mesmo no meio da confusão e desespero da altura... mesmo aí, era tudo mais simples. Não havia crises de ansiedade, nem preocupações com nada do género, não havia tantas dúvidas e expectativas sobre mim mesma, havia mais confiança no que estava a fazer, não havia tantas confusões com pessoas, com trabalho. E quando não havia pessoas, eu estava bem. Eu estava sempre bem.
Quando é que deixei de estar bem? Quando é que comecei a esquecer-me de mim, no processo? Quando é que comecei a achar que o stress é um método de trabalho?
Este ano tem sido um desafio constante. E, honestamente, acho que nem me tenho saído muito mal, dadas as circunstâncias, que são muitas. Mas estou cansada. De ter que tomar decisões, de ter que fazer coisas, de ter que falar com pessoas. Acima de tudo, estou cansada de ter que lidar com pessoas, de ter que gerir esta pressão toda e ainda tentar ser perfeita. Porque se há coisa com que tenho sido cada vez mais confrontada, desde o início, é com o facto de que não sou perfeita. Às vezes erro, e vou continuar a errar, a falhar, e não vai ser fácil. Nunca é. Dispenso é que estejam constantemente a atirar-me à cara com isso. Onde é que está o apoio que é suposto ter quando se precisa? Pois, a velha questão, eternamente retórica.
Já nem sei que pensar. Só sei que estava à espera de um pedido de desculpas, que não chegou. Só sei que estou FARTA de andar sempre com cuidado, a tentar não magoar esta e aquela, a tentar ser correcta com as pessoas e não fazer nada que possa colocar alguém em causa. Só queria saber quem é que faz o mesmo por mim, porque eu não vejo nada. Mesmo nada. Pedir contas, atribuir responsabilidades e culpas é tudo muito lindo. Assumir parte delas, saber pedir desculpa quando se passou os limites... essa já é outra história. Sabes que mais? Dizer "eu gosto de ti" não chega, está bem? Não chega. Não justifica, não desculpa. Dizer "por favor não vamos prejudicar a nossa amizade"? Muito bonito, mesmo. E sou eu que tenho que tentar salvar alguma coisa, é? Sou eu que tenho que fngir que não ouvi o que ouvi, que não houve o mínimo de compreensão quando eu precisava? Onde é que fica o que eu preciso, no meio desta porcaria toda? Onde é que eu fico, quando ando a tentar estar presente para os outros? Não vale a pena responder a isto sequer.
Daqui para a frente, nem mais uma palavra. Nem uma. Mas também não penses que passas esse limite outra vez. E a amizade? Vamos ver, mas sinceramente não estou minimamente preocupada com isso agora. Era isto que eu queria ter-te dito, mas não disse porque não queria magoar-te. Sabes, mais ou menos como o que fizeste comigo. E é aí que está a diferença.
Às vezes não sei porque é que me meti nisto...
Às vezes não sei porque é que me meti nisto...
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